O Zoinho está aqui. Ele é um gato que merece descrição. Ele está na frente do monitor agora tentando pegar as letras enquanto eu digito. O Angelo prefere ficar ao meu lado tentando mordiscar um sapato qualquer. O nome dele é glamour. Mas voltemos ao Zoinho, um gato magrelo, preto, com peito branco, uma pequena mancha grisalha no dorso e patinhas brancas. No escuro só dá pra ver as patas mas quando acendemos a luz nos deparamos com dois olhos desalinhados montados em uma pequena cabeça acabadas por orelhas bem grandes. O Zoinho não é bonito, mas ele não é feio. Ele é exótico, digamos. Ele não tem nada de fofo, mas de fato ele é bem fofo. Ele olha para todos com uma carinha de criança de orfanato, de piedade, de coitadinho. Uma criancinha ranhentinha e linda, que gosta de beber água de todos os lugares, menos do pote dele. Seus passatempos favoritos são carregar coisas com a boca, destruir guardanapos e correr atrás de uma bola de lã improvisada.

 O Angelo tem o talento de sempre fazer pose quando para. Eita gato bonito. Porte de lorde inglês, comportamento de traficante de comida molhada de gato. O Angelo adora vento e sapatos Arezzo. Loosho, glamour, poder. Ele também compartilha do gosto por bolinhas de lã, e qualquer coisa que quicar.

Estou feliz com meus gatos, fiz boas escolhas. Dois gatos particulares e paradoxais, opostos em suas origens. E a vida é assim mesmo… Zoinho e sua nova vida de magnata, Angelo convivendo com um irmão muito diferente dos irmãos biológicos… but who cares?