Baixada Santista abala São Paulo!
Bom… e não é o que vc está pensando…
O dia começa com 5 minutinhos na cama, um pulo achando que estou atrasada, um banho Avon, um pão de forma light, uma blusa amarela e uma cowboy boot de 1996 que resolvi ressucitar do armário.
Logo mais, com o rádio ligado, subindo para São Paulo, eu e o Maurício ouvimos “são todo mundo que faz isso.”
Essa pérola, digna da linguagem coloquial da Mkt Virtual, foi solta nada menos do que pelo nosso estimado presidente Lula.
Bom, o dia passa… 3 reuniões, tranquilas. Almoço com o povo da Crail, depois reunião e outra reunão. Na volta, umas 20h passamos o Plaza Sul para beliscar alguma coisa.
Aí muda o cenário e vamos dar uma pausa para uma enquete…
O QUE VOCÊ FARIA?
umas 21h eu e o Maurício encostamos no quiosque da Showcolate. Prestem atenção no relato, em como você pode irritar alguém que nada tem a ver com o seu problema… tinha um casal encostado na Showcolate. Sem pré-julgamentos, mas eu olhei pra cara do cara e já automaticamente veio a palavra BABACA na minha cabeça. Ok, eu sei que foi um pré-julgamento, mas ele abriu a boca e confirmou a neurolinguística expelida pela primeira letra:
- Mas não tem castanha? (disse ele)
- Não… (disse a funcionária do quiosque, em tom educado e humilde)
- Mas eu quero castanha…
- Não tem, só tem esse outro aqui (ela mostrou um pote que acho que era de chocolate granulado)
- Então coloca aquele outro ali…
E apontou para um pote de M&Ms.
Ela disse que não podia…
O bobão começou a insistir. Qualquer idiota saberia que aquilo é uma franquia, cheia de regras e de detalhes que geralmente não podem ser quebrados. Não ia adiantar fazer cara de “gatinho do Shrek”. Muito menos a cara de Shrek que ele tava fazendo.
Por isso a funcionária do quiosque segue as regras, e eu vi a menina as executando pontualmente. Passa álcool gel na mão e depois bota uma luva de plástico para fazer 1 espetinho de R$ 3,30.
Voltando ao nosso amigo (que provavelmente é filho de papai, assessor de assuntos aleatórios ou na melhor das hipóteses funcionário público, ou tudo isso junto), ele insistiu na questão do M&M. E a menina exercitando a paciência dela, explicando de uma forma delicada:
- Amigo, isso não está no escopo! Você não pagou por isso…
Bom, vamos ao outro lado. Não tinha castanha… acabou, bluft. E o rango do cara já era doce o suficiente. Era chantily com chocolate e morango. A castanha não faria uma diferença para ele perder 5 minutos do dia dele implorando pela porra do M&M. E nem encher o saco da menina… mas o outro lado, é que a funcionária como parte da empresa, podia ter pensado em alternativas para agradar e reparar os danos profundos no coração do cara… MEU DEUSSS! Como não tem castanhas???? MEU DEUS, Ó CEUS! E agora? Ou ela podia ter “acatado” o pedido dele de primeira… ele sairia satisfeito, mas possivelmente ela tomaria uma bronca de uma patroa não tão tolerante a desperdícios. Ou a patroa dela aplaudiria a menina… e daria 20 conto pra ela comprar uma blusinha nova. A menina decidiu não arriscar e deixou puto o cliente (que não tinha razão)! E ela ficou com aquele sorrisinho amarelo para nós… Que chato, né?
Não custava ela agradá-lo, mas ele agiu feito um babaca e não soube negociar o que ele queria. A namorada dele estava do lado, e eu acho bizarro ver isso… quando a crista do cara sobe e ele vira um galinho pra pagar de bonitão. Enfim, ninguém saiu satisfeito… e a vida dos três continuou.
[...]
Peguei meu espetinho e agradeci a menina… em tom de brincadeira perguntei se ela não queria molhar meu espetinho duas vezes no chocolate… hahahahahahahahahaha, ela me olhou com aquela cara de “pronto, mais um surtado…”, e depois eu disse que era brincadeira, e que queria saber se existia essa opção caso eu pagasse. Ela riu, e eu disse, relaxa, tô brincando…
Saindo de lá, a Alê liga no meu celular…
Com aquela voz no tom “ai meu deus plus”, ela perguntou onde eu tava, e blá blá. E eu já querendo saber o que tinha acontecido. E ela diz: MEU, A TERRA TREMEU AQUI…
É claro que eu achei que ela tinha surtado. E é claro que o Maurício concordou. Mas no apavoro liguei pra minha mãe que não tinha sentido nada… e viemos embora, com um cagaço danado ouvindo a Rádio Bandeirantes e um monte de ouvinte creu-za causando. Enfim, primeira coisa que vem na cabeça é o tsunami, e eu queria descer a tempo de salvar os gatos, umas fotos, e uns objetos que eu não poderia viver sem. Mas logo que descartaram essa possibilidade, o Maurício coloca uma música clássica para tocar no carro e me solta o sadismo: - Como em Titanic…
Para finalizar o dia de surpresas, e uma analogia rápida, um terremoto desse é bom. Chacoalha quem tá devagar, faz o povo acordar. Amanhã vai todo mundo fazer suas coisinhas feliz podendo acordar mais um dia. Ninguém morreu, ninguém ficou soterrado, ninguém perdeu ninguém… viu? Que bom! Podia ser BEM pior… trabalhe feliz, viva contente pois hoje poderia ter sido seu último dia! E não foi… (quero dizer, até foi…)
Você ganhou mais alguns dias de crédito, e faça jus a sua bônus track, ou ao seu “continue”. Parabéns!
Outro desse, só daqui a 100 anos, ou quando o Jucelino da Luz mudar de idéia.
Para ficar registrado…
http://earthquake.usgs.gov/eqcenter/recenteqsww/Quakes/us2008reab.php








