Essa sensação me acompanha esporadicamente. Ou eu tenho um sonho incrível (tipo viagens, compras megalomaníacas, passeios extravagantes, bons momentos etc etc), ou eu tenho um pesadelo péssimo e redudantemente terrível (alguém morrendo, conta no vermelho, machucados, lugares desconhecidos): e em ambos os casos eu acordo com aquela sensação: Nem ligo, era só sonho mesmo.
Pois é, só que os últimos dias eu penso num mesmo assunto e acordo com esse pensamento. E não era um sonho. Um sonho terrível virou realidade e não vou acordar mais dele. Pode ser drama, pode ser o que for. Mas eu sou uma idiota mimada nesse sentido que até ano passado não tinha vivido isso, e preferia, sinceramente ter adiado um pouco esse duro aprendizado que a vida manda por Sedex sem aviso prévio.
Ok, com o Carlitos eu recebi uns telegramas antes. Um calombo aqui, uma cirurgia ali, uma quimioterapia ali. Mas com a minha vó não.
O mais bizarro de tudo isso é estar vivendo sempre em paradoxos, em contrapontos e em extremos. Ao mesmo tempo, dessa tristeza pessoal, a Mkt Virtual vive um momento, talvez inédito. Mais um Peixe Grande, Ouro no prêmio ABAnet, Prata no prêmio da Associação Brasileira de Propaganda, livro da Taschen Flashfolios com 4 projetos nossos (surpresa total!) e outras coisas que não são nada estratégicas colocar aqui, mas que são notícias sensacionais…
Nem sempre tudo pode ser perfeito né? Quando me sinto triste, lembro do blog Para Francisco (http://www.parafrancisco.blogspot.com/). Conheci a Cristina Guerra por causa do blog de roupas dela, e pensei: “Meu, essa menina é super bonita e estilosa, o filho dela é fofo e ela trabalha numa agência bacana, enfim, ela é o máximo”. Inocentemente eu não sabia a história de vida dela, e fiquei em choque, e muito tempo lendo o blog. Depois que entendi tudo, vi o quanto existem pessoas que se superam e conseguem ainda fazer algo produtivo, contar uma história, ser referência. PQP.
Coincidentemente em agosto fui para o Rio de Janeiro atender um cliente. Quando estávamos fazendo o check-in em São Paulo, Congonhas, estava lá ela na fila da Gol também. Morri de vontade de falar com ela, olhei umas 10 vezes pra ela, como se ela fosse conhecida (ela deve ter achado bizarro), mas não falei nada. Daria parabéns? Daria uma de blogueirinha teen miguxa? Preferi ficar em silêncio e pensar, que, o bom gosto, guarda-roupa e estilo dela eram amazing e irritocáveis, mas que nada disso era relevante ou significativo perto do que ela fez ao dividir a história dela, e principalmente, de fazer isso de forma aberta, transparente, pensando em seu filho, mas ajudando pais, mães, netos, irmãos e pessoas que se perderam ou foram perdidas.