Um blog sobre nada específico, escrito por quem ama gatos, design e gosta de fazer muitas coisas.
Comprei um Amarula sábado. Faltou aqui em casa. Sempre teve, mas dessa vez acabou e ninguém trouxe outro. Sempre foi assim, as garrafas apareciam sem explicação. Ficavam muito tempo fechadas até que alguém as abria, em aniversários, natais, reveillons ou alguma data que nos reuníamos.
Elas pararam de aparecer, e não foi de propósito. Não teve motivo especial. Tudo foi como sempre foi, mas as garrafas foram deixadas de lado, e assim como surgiam sem explicação, a última se foi e não reapareceu. Elas duravam muito, o suficiente para serem degustadas por várias pessoas, em várias datas. Acho que ninguém lembrou que acabou. Só eu.
Lembro de uma tarde em 99. Eu tinha prova no colegial. E tomei uma quantidade relativa de Amarula antes de ir para o colégio. Lembro de eu rindo sozinha no silêncio da classe concentrada em fazer uma prova idiota e inútil de multipla escolha (o absurdo limitante pré-vestibular). Eu ria e o fiscal, claro, achou que eu tava colando. Mal sabia ele que era embriaguez de serotonina, pq de Amarula não era. Saí da prova e conferi o resultado. Foi 8,5.
Depois desse dia aprendi a tomar Amarula em dias de festa, e não de provas. Aí, há uns meses fui tomar e não tinha. Sempre que eu lembrava de comprar não tinha nada perto, e raramente eu lembrava. So sábado eu comprei, e só abri hoje, 2h da manhã de uma terça-feira.
Fiquei bebericando e apreciando o paradoxo do silêncio. Amarula não combina com ele. E sentir o gosto de Amarula sentindo tristeza também, não ornou nem um pouco. Pensei alto, e em silêncio.
Preciso MUITO achar essa versão dessa música.
Keep this post private - será?
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