Para não cair na mesmice de ir no Guadalupe pela décima quinta vez neste mês, eu e o Maurício tentamos achar um lugar diferentinho pra comer no sábado a noite. A gente ia no Viva Vinhos, que estava com a porta abarrotada de gente, e esperar no sereninho não rola.
Dando aquelas clássicas voltas de carro pela cidade, achamos um cafezinho simpático na Azevedo Sodré, e resolvemos parar. Fomos surpreendidos por um cardápio bem diferente e vasto de pratos individuais, como filet mignon au poivre e diversos tipos de bacalhau. Quem mora em Santos, sabe que temos restaurantes clássicos como opção, ou botequinhos com cardápio engessado ou limitado. O meio termo é o Guadalupe (que é muito bom, mas o cardápio é bem limitado), ou uma das milhares de pizzarias que tem espalhadas pela cidade.
O Le Ville Café surpreendeu por isso. Pratos de restaurante num ambiente pequenininho, variedade no cardápio e NÃO ESTAVA TOCANDO MÚSICA AO VIVO, essencial na hora de escolher um lugar. Acabamos não jantando, pedi uma entrada e o Maurício uma sopa, conforme abaixo.
Caldo-verde no pão italiano
Bruschetta Tri-funghi
Preço: nada exorbitante e essa entrada deu pra super empanturrar.
Informações do Le Ville:
LE VILLE CAFÉ GOURMET
Fone: (13) 3232-1366
Rua Azevedo Sobré, 59, Santos, SP
Esse produtinho é muito útil para quem AMA sapatos como eu. Vale a pena falar dele aqui no blog, pela economia com sapateiro que ele me trouxe. Toda vez que eu precisava colar um sapato ‘falante”, uma palminha que descolava, lá ia eu deixar acumular meia dúzia de sapatos pra levar pro sapateiro dar um jeito. E nessa brincadeira ia 50, 60, 80, 100 pilas por rodada de consertos.
Resolvi comprar uma cola de sapateiro de verdade para tentar resolver esse probleminha em casa (e também pra economizar, e eu poder comprar mais sapatos, muahauahua), mas foi mega não-prático e a cola estragou.
Até que eu achei essa belezinha aí em baixo e minha vida mudou. Sapateiro agora é só pra problemas graves, como colar saltinhos que ficam presos na calçada bizarra da Tolentino Filgueiras em Santos. De resto, é na vibe DO-IT-YOURSELF, com ajuda desse produtinho aí em baixo:
Comprei na Multicoisas da Ana Costa em Santos, e também na Multicoisas do Shopping SP Market em São Paulo.
Faz umas boas semanas, num sábado, saímos eu, Maurício, Danilo, Cacá, Alê e Preta. Papo vem, papo vai, e eu e a Preta ficamos conversando de “boiadas on-line”, ou seja, sites que vendem coisas muito legais a preços humildes para o povo do terceiro mundo que viaja pouco ter acesso a it products importados e absolutamente necessários (leia-se maquiagens, perfumes, creminhos, bolsas e etc).
Ficamos trocando figurinhas e eu contei pra ela sobre a incrível experiência do StrawberryNet (que, controladamente, fiz essa única compra), do MercadoLivre, do Privalia, do BleuDame (váaaarios óculos) e blablabla. Ela me contou que tinha arrematado umas coisas barateenhas e legais no Ebay. Mesmo jurassicamente usando a internet eu nunca havia tido uma experiência para o Ebay. Já tinha caído nele buscando coisas no Google, mas nunca tinha de fato usado o site.
Bom, comecei a experiência buscando um produto que queria há bastante tempo: um documentário sobre a história dos Carpenters. Procurei em várrrios lugares, em Santos, em São Paulo, em todas as grandes lojas virtuais, e a única coisa que achei foi o Carpenters Gold, por R$ 60. Nem rolou comprar, pois segundo o vendedor, no DVD não tinha nenhum documentário, e sim videoclipes. Para ver videoclipes usamos o YouTube, né gente?
O primeiro resultado no Ebay era justamente o que eu queria. O DVD do doc dos Carpenters de 1997. POR U$ 4,99. Para meu, não dá né? Mandei vir lá de Singapura o meu Dvdzinho, e eu tava crente que era de segunda mão! E não era… aí eu aprendi que no Ebay tem que ser malandrinho pra sacar as siglas NIB, NWOT, NWT e etc. Eu sei que o DVD chegou aqui, embalado, NOVO em folha por um preço ridículo.
Para apreciar:
Bom, aí eu comecei a entender que se foi tão fácil assim, eu iria achar outras coisas legais. Talvez algo vintage, relacionado ao meu gosto por música, mas que servisse pra decorar as paredes que estão na minha frente, mas que fosse baratinho. E achei isso:
O DVD já citado, e uma Music Sheet de 1969 dos Carpenters, da música Close to You. Todo desgastadinho pelo tempo, com uma ilustração completamente 70s, linda. Vou mandar emoldurar e colocar perto da minha mesa, já que coincidentemente as cores harmonizam perfeitamente com a Mkt.
Mas, o mais poético foi isso: você vira a página, e tem a partitura da música :O
Aí vc olha um pouquinho mais, e percebe que alguém já usou isso pra tocar. Por causa dessa marcação
“Gold and star-light in your eyes of blueeeee” tem uma marquinha azul do ex-dono.
Fofo, não?
:´(
PS.: O lençol completamente vintage foi pra combinar.
When I was young
I’d listened to the radio
Waiting for my favorite songs
When they played I’d sing along
It made me smile
Those were such happy times
And not so long ago
How I wondered where they’d gone
But they’re back again
Just like a long lost friend
All the songs I loved so well
(*) Every Sha-la-la-la
Every Wo-wo-wo
Still shines
Every shing-a-ling-a-ling
That they’re starting to sing’s
So fine
When they get to the part
Where he’s breakin’ her heart
It can really make me cry
Just like before
It’s yesterday once more
Lookin’ back on how it was
In years gone by
And the good times that I had
Makes today seem rather sad
So much has changed
It was songs of love that
I would sing to then
And I’d memorize each word
Those old melodies
Still sound so good to me
As they melt the years away
Repeat (*)
All my best memories
Come back clearly to me
Some can even make me cry
Just like before
It’s yesterday once more
“Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love’s made me
Free as a song singin’ forever”
——
Minha vó faleceu em 7 de novembro de 2008. No domingo, 7 de junho, fui na casa dela, exatos 7 meses depois, separar as coisas e ver se havia algo do passado que eu gostaria de resgatar. Aquele armário, que sempre pareceu um universo enorme para uma menina de 6 anos de idade, virou um guarda-roupa comum, aromatizado com naftalina e cheiro de madeira velha. Não acho esse cheiro ruim, e nem sei se é bem de naftalina. Mas era um cheiro típico da casa da minha avó. Depois de muitas horas, separei algumas roupas, algumas jóias, 3 óculos de sol (minha avó só tinha 3 óculos de sol!) e uma bolsa authentic vintage. Algumas fotos e cartas que abrirei daqui a um tempo.
Foi uma volta ao passado, de coisas que eu via esporadicamente quando vinha da Bahia para a casa dela. Aquele armário sempre foi um mundo paralelo. Eu tinha um medo inconsciente dele. A penteadeira eu abria minha vida inteira, e vasculhava cada canto. Os batons eu usava em 1986. Joguei fora umas sombras de bastão, apodrecidas que eu usava para me maquiar quando criança. Se eu soubesse teria arranjado umas sombras Renew pra minha avó.
Ela tinha mania de guardar coisas. Sabiamente ela guardou uma saia florida que não devia servir nela há anos, e acabou ficando perfeita em mim. Muitas coisas serão doadas. Dentre tudo que eu trouxe e herdei da minha avó, a maior parte das coisas não se guardam em caixas ou em armários.
Hoje minha mãe voltou na casa dela. Alguns cantos não haviam sido explorados ontem, um deles, em cima do armário. Minha mãe achou uma coleção de revistas Geração POP, de 1973, 1974, 1975… Ok, qual é a graça em cima dessas revistas amareladas? Um parênteses para essas coisas que a gente não encontra, mas encontram a gente. É clichê falar que a gente não é do nosso tempo. É chato falar como um velho rabugento que afirma que as coisas eram melhores antigamente. Mas é fato que a música hoje não me encanta como a música florescida em décadas passadas.
Sempre comento com o Maurício que eu me imagino ligando um toca-fitas antigo, num carro antigo, ouvindo o último hit dos Carpenters. Ou indo além, como deve ter sido mágico viver numa época em que Carpenters e Diana Ross disputavam as primeiras posições da Billboard. Imagine entrar em qualquer boteco que você entre estar tocando Only Yesterday ao invés de Calypso ou Ivete Sangalo. Não é uma questão de viver DO ou NO passado, mas sim de realmente admitir que a criatividade musical da humanidade já teve o seu ápice nos últimos 100 anos (ou 1000 anos). E que se é pra este ápice ser superado, que seja se forma convincente. O ATARI está no passado, mas não é o ápice dos videogames. Mas musicalmente a humanidade ainda não superou as 3 décadas de 60 a 90. Sorry.
Voltando a revista Geração POP, minha mãe me trouxe essas revistas, sobre as quais eu jamais tinha ouvido falar. Sou de 82, a revista nasceu uma década antes de mim, em 1970 pela Editora Abril. Me emocionei ao abrir os exemplares e meus olhos encontrarem a estética que eu facilmente adotaria hoje para viver. Me senti mais confortável e ambientada com o mundo que eu encontrei na Geração POP do que o que eu encontro na NOVA. Eu conhecia todos os artistas que estampam a revista: Cat Stevens, Diana Ross, Barry Manilow… pensei comigo que seria simplesmente fabuloso achar uma revista que trouxesse os Carpenters como matéria central. E foi o que aconteceu quando eu tirava as revistas da caixa.
“Nós ainda acreditamos no amor” - Os Carpenters é a matéria de capa de um dos exemplares. Coloquei Only Yesterday pra tocar e por uma fração de segundos eu me transportei 20 anos atrás. Curiosamente procurei na internet sobre o que aconteceu com a revista Geração POP, e aí vai…
A Geração Pop – também conhecida apenas como pop, já que o logotipo põe esta palavra em destaque – era de música pop em geral. Seu estilo era mais comportamental, mainstream, não se prendendo ao rock, mas a outras tendências populares da música jovem, como a soul music (Jackson Five, Stevie Wonder) e o pop romântico (Carpenters, Elton John). A decadência da revista se deu porque ela não conseguiu acompanhar as tendências musicais atuais. Sobre o punk rock, arriscou-se a fazer matéria fictícia, com dois meninos de rua, aparentando pivetes, que seriam integrantes de um inexistente grupo de punk rock. Foi sua sentença de morte. Fonte
Depois de 36 anos, que mantiveram sacos plásticos e a rotina afastando as revistas dos meus olhos, a Geração POP não conseguiu acompanhar as tendências musicais atuais. Mas ela nunca precisou mesmo fazer isso. Ela encontrou seu nicho, chegou ao seu target com um atraso de quase quatro décadas. A maior parte dos artistas presentes em suas páginas não deveriam ser substituídos por tendências atuais. Ler essa revista hoje não é voltar ao passado, mas sim reconhecer que o passado não é obrigatoriamente substituído pelo presente apenas pelo frescor do seu tempo, mas sim pelo frescor de sua criatividade. Tomorrow may be even brighter than today.
A saudade é saudade para todo mundo, é uma palavra, com aquela lenda bonita que existe só em português. Só que a saudade é mais extensa do que parece. A escrita do Sr. Flávio me encantava pelo texto arisco e militante do seu blog. Depois do final de maio, passou a me encantar por outras razões. Por documentar o que não precisava ser documentado, mas por extender a sua saudade para outras pessoas. de uma forma bela, e dolorosa. Os textos doem. Mas ao mesmo tempo, é reflexivo e desperta para outros sentimentos.
—
Antigamente as pessoas escreviam cartas, e infelizmente o mundo perdeu este hábito.
Elas trazem cena de volta.