Ain´t no mountain high enough

26 September, 2009

Lei Anti-Photoshop ?

Filed under: Coisas legais, Diarinho — Tags: , , , — Ludmilla Rossi @ 4:59 pm

O que escrevo a seguir tem relação com isso.

França pode criar lei anti-Photoshop

Penso que algumas indústrias, principalmente a indústria do luxo, não conseguiria obter o resultado de vendas que atinge nos dias atuais se não possuísse como um de seus recursos principais o nosso amigo Photoshop. A primeira vez que caí na real sobre o quanto as imagens eram tratadas antes de serem impressas foi na capa do CD Rainbow da Mariah Carey. Eu, no auge da minha adolescência pensava em como alguém poderia ser tão lisa e escorregadia. Até hoje não sei bem se aquela imagem foi super manipulada ou se é um efeito de luzes e óleos sob a pele da Mariah, mas foi a primeira vez que eu despertei para isso.

Para falar a verdade, eu acho que essa manipulação de luzes e efeitos me chamava a atenção desde criança. Por exemplo, eu não me conformava como as minhas Moranguinhos pareciam tão incríveis na propaganda. Não existia um fio de cabelo sequer fora do lugar nessas bonequinhas. Mas nas minhas, existiam vários, inclusive rebarbinhas no plástico do qual as bonecas eram feitas.

Muito tempo depois, foram as campanhas da Vichy. Meu deus, quanto Photoshop. Realmente os produtos da Vichy são maravilhosos e trazem bons resultados, mas para eles oferecerem resultados similares aos das propagandas a única forma é nascer de novo. E umas 2 vezes.

Impressionante hoje como todo mundo sabe o que é Photoshop. Em 96, quando tive o primeiro contato com o programa e contava sobre ele para as pessoas, ninguém dava muita bola. Hoje, o atendente da banca de jornais fala que “uma mulher da revista NOVA é gostosa, mas tem Photoshop aí”. Todo mundo desconfia. Quase ninguém acredita mais nas capas de revista, pelo abuso que essa indústria trouxe. Uma perseguição a um perfecionismo que ninguém consegue alcançar.

A indústria de cosméticos, perfumes, produtos para a pele, shampoos e etc não sobrevive hoje mais sem o  uso do Photoshop. “Cabelo de comercial de shampoo é um termo antigo”, e antigamente até era viável conseguir um cabelo próximo ao do comercial (obviamente, não era usando o shampoo do comercial que você conseguia isso). Mas hoje não dá. Os fios são modelados em 3d, pela viabilidade de se conseguir o efeito que muitas vezes está na cabeça do diretor de criação, ou do próprio cliente.

Porém, sou completamente contra esse papo das pessoas condenarem o uso do Photoshop. Maquiagem é o Photoshop da vida real. Beleza natural não existe a partir do momento que você já fez uma plástica ou colocou o pé numa clínica de estética. Todo mundo, de uma forma ou de outra é artificialmente manipulado. A beleza natural só existe em aldeias indígenas. Ou, naquelas pessoas muito desapegadas a qualquer tipo de senso estético. O problema é sempre o abuso.

Não vejo problemas em usar o Photoshop para tirar olheiras, manchas em roupas, gergelim no dente, esmalte descascado, blusa que furou no meio da festa, brinco torto, meia calça furada ou batom borrado. Tudo isso corrigido torna o mundo muito mais feliz. Também não condeno as indústrias usarem o Photoshop para melhorar esteticamente fotos de suas celebridadas e de seus produtos. Convenhamos que quando você compra um duo de sombras na loja ele é um sonho de perfeito. Com 2 meses de uso já é uma favelinha… todo borrocado com pó espalhado pra tudo que é lado. Qual é a graça de ver um anúncio com um duo de sombras com pó pra tudo que é canto. É obvio que a gente compra o sonho. Na verdade a gente quer comprar o sonho, e não um produto melado. Só que a gente quer comprar um sonho equivalente com a realidade, uns 30% melhorado. Fato.

Ok, é fácil falar porque meu dia-a-dia é diretamente lidando com esse tipo de images. Eu trabalho diretamente com vários tipos de indústria. Uma delas é uma marca de biquinis. Apesar da marca sempre escolher modelos incríveis que defeitos mínimos, sempre é necessário um retoque, mínimo. Só que faz toda a diferença.

Por fim, por mais nazista que isso soe, ninguém quer comprar defeitos, que eles sejam mínimos. Basta usar o bom senso na hora de tascar gaussian blur na pele da mulherada.

Esse vídeo demonstra bem o que eu quero ver. Dove Evolution é sensacional (se vc não viu ainda, veja). Mas melhor ainda é o Dove Evolution Parody. NOBODY WANTS TO LOOK AT UGLY PEOPLE. Nazista, mas em menor escala, uma boa mensagem. Se há o que melhorar, vamos melhorar, ué. E dá-lhe gaussian blur!

4 September, 2009

A vida profissional e a natureza

Filed under: Diarinho — Tags: , , — Ludmilla Rossi @ 1:03 am

Fico pensando em como a vida às vezes coloca a gente em situações bizarras. Não tenho dúvida que o destino me colocou (com a minha própria vontade e ajuda) em uma posição de liderança no melhor dos sentidos. É, muitas vezes a minha escola, a minha faculdade, a minha pós, o meu mestrado, doutorado, minha leitura diária, meu curso livre, whatever. Cada dia eu aprendo (ou melhor, nós) uma coisa nova.

Essa sensação triplica, quando na sua mão está uma das coisas mais delicadas de se fazer em uma empresa. Sério. Contratar gente. Contratar gente transfere toda uma energia e mexe com todo um ecossistema corporativo e profissional que já está instalado. Na sua própria empresa, e em outras empresas também. Você mexe a harmonia simbiótica preliminarmente existente. E, algumas vezes isso acontece sem querer.

Por algumas vezes, algumas pessoas que trabalharam comigo espalharam currículos pelo mercado e foram trabalhar em outras empresas. Inegável que isso mexeu com uma harmonia preexistente dentro da minha própria empresa. Nada demais - a gente pondera - afinal isso acontece no mercado o tempo inteiro. Mas as consequências micro e macro são muitas vezes imperceptíveis por quem está fora do jogo. Alguns pensam que estão indo para um emprego novo. Quem contrata pensa que está começando uma nova história. E quem fica com a “pica” na mão, usando um linguajar bem chulo, fica pensando no desmatamento de experiência e conhecimento que lhe foi causado. Ok, recupera-se, assim como na natureza. Você corta a árvore, leva a madeira, mas tem outras sementes por ali, prontas para brotar. Leva tempo, a gente sabe. Vai ter que regar e cuidar direitinho para nenhum inseto comer suas folhas antes da hora. E você em breve está com uma flora primaveral de novo, renascida, reluzente e cheia de frutos bons.

Isso é experiência. Vivi isso muito tempo. Algumas vezes eu sofri. Outras era melhor mesmo que a madeira fosse servir de matéria-prima em outras florestas, por mais que naquele instante isso fosse tão claro. O problema é quando é você que corta a árvore. É quando você recebe um currículo de forma passiva, e resolve contratar alguém quejá está povoando outras florestas. Mesmo que você nunca seja um desmatador, isso preocupa humanamente, principalmente por você já ter visto sua mata desmatada algumas vezes. E saber o quanto isso pode ser ruim. Mas também o quanto leva você a adubar a terra, para que as próximas sementes consigam ter mais condições de crescimento, que suas folhas tenham maior vitalidade e que seus frutos sejam ainda mais doces.

Entre desmatar e plantar as sementes, as sementes geram mais esforços, mas menos dilema.

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