Ain´t no mountain high enough

9 November, 2010

Compras coletivas - sou só eu?

Filed under: Business, trabalho — Tags: , , — Ludmilla Rossi @ 11:35 pm

Quem me conhece sabe que tenho uma relação ótima com shoppings e lojinhas de bairro, adoro uma promoção, uma vitrine e uma caroçagem básica. Quando estava viajando, quase enlouqueci na H&M por ver coisas tão baratas e promos sempre presentes. Ao chegar no hotel, olhei as etiquetas. Cada peça vinha de um país pobre, como Cambodja, Bangladesh, China, whatever. Fiquei pensando nisso, e na história do consumo consciente.

Se algo é muito barato, sempre alguém paga caro por isso. No caso, eu paguei barato, e alguma mão de obra sofrida pagou caro. A loja mantém sua margem de lucro, mesmo que baixa (para vender muito).

Bom, eis que o Brasil começa a falar agora em sites de compras coletivas, muitos começam a surgir, os pioneiros nadam em dinheiro, e, como toda onda na Internet muitos seguem achando que vão ganhar muita grana, com o pensamento baixo custo + milagre de vendas. Não sei se é um post azedo porque recebo pelo menos 2 ligações por dia de prospects “querendo um site igual o Peixe Urbano”. Trato bem, tento explicar pro cara que o negócio pode funcionar mas não é milagroso e demanda investimento e blablabla. Quando você conta pro cara que ele não pode ficar na informalidade num empreendimento destes, ele geralmente desliga triste (ou liga pra outro). E aí que entra o que eu quero defender (não afirmar). É uma veia de pensamento minha (e pelo visto acho que estou com poucos companheiros) e de dúvidas também.

Hoje compras coletivas são uma onda boa, numa maré que aparenta ser lucrativa e inovadora. Em pouco tempo se tornará commodity. Os comerciantes que hoje se encantam com essa possibilidade de encher seus estabelecimentos com novos consumidores, suprir um gap, evitar desperdícios (alô povo das compras, olhem que argumentos bonitos), a longo prazo irão fazer contas. É obvio o quanto a margem de lucro cai - “mas e daí?”, afinal está se vendendo com pouca lucratividade para muitas pessoas. Alô Chris “cauda longa” Anderson, é você aí de novo? Nada de errado com isso, muito menos com o Mr. Anderson, entretando como empreendedora prefiro pensar no longo prazo.

O que acontece quando, numa localidade pequena, vários comerciantes entram nessa disputa e banalizam suas margens de lucro? O que acontece quando os consumidores em geral ficarem mimados ao ponto de criarem hábitos e consumo restritivos e commoditizados? O que acontece quando esses mesmos consumidores criarem hábitos e exigências de desprezarem a qualidade de serviço e só pensarem em preço? Ele já pensam em preço, todo mundo quer pagar barato e ninguém quer ser passado para trás. O problema é quando reduzir imensamente a margem de lucro parecer uma vantagem para “garantir faturamento”. O que acontece quando você vende mais do que pode? O que acontece quando não há controle minucioso de estoque no comércio (desculpe, mas é bemmmm difícil isso acontecer)? O que pode rolar com a superestimativa em cima de números de venda qe não acontecem? Como lidar com a redução de margens a ponto das mesmas não terem gordura para possíveis variações de mercado? Isso tudo é problema do estabelecimento? E, para finalizar, esse tipo de “venda” estimula o cara a melhorar ou a estagnar o serviço que ele presta e produto que ele entrega? Cadê o valor-agregado minha gente?

Comoditização e disputa por preços já acontece bastante aqui em Santos, acredito que acontecia mais no passado, mas diversos lugares de boa qualidade fecharam suas portas pelo foco em serviços com uma margem um pouquinho maior. Preciso ir longe? Drogaria Iporanga virou Poupafarma. Casas noturnas, restaurantes e outras marcas viraram pó. Quantos restaurantes japoneses abriram em tão pouco tempo?

Ícone de qualidade em atendimento em restaurante em Santos? Beduíno. É barato? Não! É caro? Também não. Os caras tem valor agregado. Os caras precisam manter a margem deles no lugar. E eu vou lá e pago, feliz. Compras coletivas lá? Para mim seria mais desvantagem encarar aquele lugar lotado pagando menos e sendo mal atendida. Prefiro manter o atendimento, qualidade e margem de sempre e pagar o preço “normal”.

Minha grande preocupação com a onda, é que dessa vez não são os consumidores que saem perdendo, não é a mão-de-obra sofrida que se fode por meio dólar a cada 250 camisetas produzidas.

São os comerciantes. E quem vive de comércio (que não é o meu caso) sabe que estoque e margem não são nada fáceis de se domar e são o segredo do negócio. Espero que quando o primeiro alfinete penetrar nesse bolha de coletividade no consumo, bons estabelecimentos não estourem junto.

8 November, 2010

There are places I’ll remember

Filed under: Letras de Música — Tags: , — Ludmilla Rossi @ 11:01 pm

Tô emotiva.

Vou resumir a mudança da Mkt Virtual e a despedida da sala antiga (que não me despedi direito) a In my life, dos Beatles.

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There are places I’ll remember
All my life, though some have changed
Some forever, not for better
Some have gone and some remain
All this places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life, I’ve loved them all
When I think of love as something new
Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life, I love you more

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life, I love you more
In my life– I love you more

But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning

Vamos lá, no videokê.

7 November, 2010

Yesterday was 2 years ago

Filed under: Diarinho — Tags: — Ludmilla Rossi @ 11:27 pm

Yesterday, all my troubles seemed so far away.
Now it looks as though they’re here to stay.
Oh, I believe in yesterday.

Suddenly,
I’m not half the man I used to be,
There’s a shadow hanging over me,
Oh, yesterday came suddenly.

Why she had to go
I don’t know she wouldn’t say.
I said something wrong,
Now I long for yesterday.

Yesterday, love was such an easy game to play.
Now I need a place to hide away.
Oh, I believe in yesterday.

Why she had to go
I don’t know she wouldn’t say.
I said something wrong,
Now I long for yesterday.

Yesterday, love was such an easy game to play.
Now I need a place to hide away.
Oh, I believe in yesterday.
Mm mm mm mm mm mm mm.

——-

Fazem 2 anos que “Yesterday” me arrepia (ainda mais).
Coincidência Paul McCartney estar pelas redondezas.
I believe in yesterday.

6 November, 2010

Paradigmas de mercado e as oportunidades

Filed under: Diarinho, trabalho — Tags: , , — Ludmilla Rossi @ 2:09 pm

Pensei bastante sobre isso nas últimas semanas. Por conta das mudanças recentes que estão acontecendo na Mkt Virtual, começamos a pensar em possibilidades para a ampliação da equipe, remanejamento de pesssoas para novos objetivos, e inevitávelmente a pasta “currículos” começa a chamar o meu olhar.

Além do processo seletivo para secretária (que parece simples mas não é), começamos a traçar metas para 2011. E quando ver a pergunta “qual o perfil desse profissional” que comecei a me questionar sobre as particularidades do nosso mercado.

Existem vários movimentos e especialistas disseminando a entrada da classe c e da terceira idade em massa na web. A vovó no Skype, as massas consumindo pela web, tudo isso já é ícone e derrubou aquela ultrapassada afirmação de que a web é o espaço dos jovens, ricos e nerds. Nerds ricos e jovens (ao mesmo tempo) são realidade (oi Zuckerberg!), mas são minoria perto de um universo cada vez mais pulverizado.

Porém, vamos pensar não em quem acessa e consome a web, mas em quem “constrói” a web, seja através de serviços, sites, aplicativos e inovações. O perfil de contratação para profissionais de internet começou há pouquíssimo tempo. Generalizando bastante, o começo era composto dos “carinhas de informática” que arrumavam a rede e os computadores “paus-velhos”, e como anfíbios passaram a sair do mar e andar sob uma nova terra, do html, da programação, dos ftps e blábláblá. Esses carinhas fizeram essas descobertas quando eram jovens, mas 14 ou 15 anos se passaram e a especialização de mão-de-obra para web apareceu com cursos, faculdades, conteúdo on-line, apesar de ainda ser um problema.

Existe uma escassez de profissionais e cada empresa escolhe que rumo quer seguir: algumas resolvem investir e lapidar preciosidades do mercado abandonadas por conta de um currículo, outras resolvem ter uma postura mais predatória e outras se contentam com o que aparece.

Pensando num universo que conheço bem - o de promover a evolução do profissional depois que ele já está na empresa - refleti sobre o seguinte: Se pessoas mais velhas e de classes sociais absolutamente diferentes já estão acessando a web, será que não está na hora também de repensar o perfil de contratação em termos de idade, classe social e cultural das pessoas? Essa pergunta me veio na cabeça pela seguinte razão: sempre ouvi que era difícil ter uma primeira oportunidade, que as empresas não queriam gente sem experiência, que jovem demais não funcionava, etc. Apesar disso ainda ser uma realidade, e muita gente não estar tendo chance de entrar no mercado, acredito que um dos mercados que mais ajudou a aliviar isso foi o da “publicidade” e o da web, pois mão de obra jovem nesses mercados é sim valorizada, bastando ter talento e empenho. E passa a acontecer uma grande inversão nesse ponto, pois pessoas “mais velhas” que querem ingressar no mercado de produção para web são algumas vezes limadas por terem passado dos 35-40 anos. Sim, antes que me acusem de estar falando bobagem, excessões existem, mas basta observar e perceber que as pessoas “mais velhas” desse nosso mercado estão em cargos elevados (algumas vezes pulando direto e não conhecendo os pormenores do dia-a-dia de produção) ou em áreas mais focadas em negócios, administração, finanças e etc.

E aí que entra o que eu quero dizer: existe uma infinidade de entusiastas que construiram uma carreira em outras áreas e despertam para alguns encantamentos que a web trouxe (ok, existem muitos oportunistas também que acham que a web é um poço de dinheiro). É justo ter preconceito com esses currículos por causa da idade? Será que em breve não teremos uma inversão de valores com a subvalorização da experiência e a supervalorização da idade no nosso mercado? Será que a geração digital que nasceu imersa na web terá esse ponto de vantagem em relação aos profissionais que chegam depois? Será mesmo que em alguns anos tudo não vai parecer tão normal que esse papo de “Before Internet” e “After Internet” será irrelevante?

Não tenho a resposta para essas perguntas. Mas acho que ao ler um currículo, ao contrário do que faço hoje, assim como diplomas e títulos deixam (pra mim sempre foram) de ser relevantes devido à uma volatilidade imensa, idade será irrelevante quanto sotaque, cor, nacionalidade ou religião. Talvez deixemos de dar boas chances à grandes pessoas pelo seu ano de nascimento. Com o “envelhecimento” e matiuridade do mercado on-line, com a perda da percepção on-off, espero que todo esse questionamento desapareça em pouquíssimo tempo, e que todo tipo de documento seja queimado. Por mais que eu não tenha tido uma experiência positiva nas vezes que pensei assim, vale continuar tentando. Os anos passam para todos, bons ou maus profissionais.

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