“O romantismo era a apoteose do sentimento…”
Esta semana no e-mail coletivo da empresa, pintou uma discussão iniciada pelo Fábio (de uma forma bem interessante) sobre o alarme na comunidade Flash sobre Flash, HTML 5, etc, etc, etc. A briguinha entre definir “fazer em Flash’ ou “fazer em HTML” é sooooooo “two-thousand-seven” mas até hoje é comum ver comentários e dissertações sobre isso, além da natural dúvida dos clientes que atualmente estão menos firulentos (no bom sentido) e mais objetivos em seus projetos, e querem saber que caminho tomar.
A resposta é sempre a mais óbvia e simples possível: como toda a ferramenta e recursos, eles precisam ser equilibrados em uma medida certa. E qual é a medida certa? É aquela que é a intersecção entre as demandas do projeto X idéia X expectativa de resultados. E isso só a experiência do dia-a-dia de árduos projetos, entre sucessos e fracassos, ensinará.
Fazendo um paralelo com a história dos estilos artísticos da humanidade, vejo como a ruptura entre o romantismo e o realismo se expressa nos dias de hoje, nessa mesma reação extrema ao Flash ou ao HTML. Comparemos o romantismo com o nosso deslumbramento latino por tudo que é sensorial, idealizado. Segundo a Wikipedia, “o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo”. Vejo isso absolutamente refletido em uma etapa em que conseguíamos ver somente o Flash para solução de todos os problemas, com a filosofia de que quanto mais idealista, mais mágico e escapista fosse o projeto, mais ele funcionaria. E funcionou (de verdade), durante um bom tempo. Há uns bons anos atrás todos queriam as incríveis Flash Intros, cheias de palavras idealistas (Qualidade, excelência, liderança, tradição, inovação, tecnologia… e assim por diante), e nós, em atitudes românticas e idealistas também executávamos aqueles projetos acreditando que eles refletiam. Colocávamos muito sentimento e subjetivismo ali, era a idealização da realidade.
Como protesto ao romantismo, nas belas artes, veio o realismo, que “olha o futuro e tem fé na ciência e no progresso”, menos egocêntrico, subjetivo e idealizado. O realismo, como obviamente diz seu nome, descreve a realidade com uma linguagem clara, simples e natural.

A woman with a car, Renoir - Esse quadro acho q é impressionista,
não tem nada a ver com o que eu estou dizendo, hehehehe!
Essa frase define o que eu quero dizer: “A passagem do Romantismo para o Realismo, corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objetivo”. Nada define melhor o momento que estamos vivendo na web agora e em toda a sua amplitude de comunicação. Redes sociais, convergência, comunidades, profiles públicos e compartilhamento de conteúdo, tudo bem real e idealizado apenas quando o universo individual daquele usuário é romântico (Vou explicar: uma teenager que photoshopa sua foto tirando suas espinhas e parecendo ser bem mais bonita do que pessoalmente, isso é romântico… essa mesma teenager colocando sua foto sem retoque em cima de uma cama bagunçada com paredes desgastadas, isso é realismo…).
O realismo tem sua criação feita de reflexão e análise, puro reflexo de como estamos buscando pensar hoje. E ás vezes para concluir que o que funciona é o romantismo realista ou um realismo romântico.
Ao olhar duas obras de arte (uma realista, outra romântica) é possível dizer qual é a melhor? Definitivamente não. Mas dá para dizer qual é a melhor dentro de um determinado contexto? Sim. Seja esse contexto atrair visitantes para um museu, ou decorar a sala de um colecionador de arte megalomaníaco.
Hoje, após várias reflexões e algumas bateções de cabeça é importante pensar nisso, para encontrar um equilíbrio entre todo o sentimento que podemos oferecer, e toda a objetividade que o público espera, nunca deixando um protestar contra o outro, mas sim assimilando que ambos foram (e estão sendo) fundamentais para a humanidade escrever sua história na literatura, na escultura, na pintura e na comunicação.
E agora, eu começo a achar que o IPad é puro impressionismo…