…esqueci de falar de um fato importante, paradoxal. Eram 21h e estávamos tomando vinho e comendo talharim do Liliana, provando a delicada gastronôma das proximidades. Uma taça de vinho foi suficiente para me deixar com vontade de ir para cama e ler um livro, até que as letras se embaralhassem num gaussian blur glamouroso e me fizessem dormir.
Quando eu vejo que um amigo está em um dolorido apuro e a gente resolve ir até o hospital - numa tentativa ingênua - de ser atendido no pronto socorro municipal.
A gente vive numa realidade totalmente paralela - eu explico - tendo consciência da realidade mas algumas vezes não a sentindo de maneira intensa. Pois eu cheguei lá e fiquei triste. Triste, triste, triste mesmo. Gente sem perspectiva alguma, deitada num leito sujo, sentindo dor. Quando digo perspectiva, são duas. A perspectiva de ser atendido ali naquele momento, e a perspectiva de sair dali e NÃO TER PERSPECTIVA ALGUMA.
Ou seja? Qual das faltas de perspectivas dói menos?
Acabamos optando por subir e optar por um atendimento particular. Particularmente ruim. É infame dizer isso, mas precisei cobrar a médica de fazer o atendimento. Fiquei irritada. De minuto em minuto ia lá ver como estava o meu amigo… e uma hora, sentei num sofazinho desconfortável, peguei meu DS e comecei a jogar. Um médico cola em mim, observa o jogo, e pergunta:
- É jogo?
Por um momento pensei:
- Não, é um bisturi ultra-moderno. Pega ele, vai lá e resolve o problema.
Ok, não dei essa resposta. Mas diante da situação tive vontade. Mas preferi só falar a verdade e confirmar que era um jogo. Afinal eu estava jogando. E ele também estava.
Enfim, o problema foi resolvido quando o dia já amanhecia. Foi bom porque eu acabei de ler mais um livro, e já engatei o começo do outro. Tudo tem um lado bom. Sempre.