Ain´t no mountain high enough

4 December, 2010

Propaganda de vestibular

Filed under: Diarinho, Educação — Tags: , , — Ludmilla Rossi @ 12:30 am

Não tenho asco a propaganda, juro. Não levanto a bandeira que a publicidade está morta, só acho que ela precisa ser menos estúpida, e a redução de sua estupidez não acompanhou a diminuição da estupidez da massa. A massa tá cada vez mais esperta, mas preparada, e também mais mimada. Muito se discutia em ética sobre a publicidade em geral, comerciais de tartaruguinhas fofas em bebidas para adultos, mulher estereotipada, e cowboys sensuais e tóxicos cavalgando por aí fazem parte de um passado publicitário enterrado. Se o cowboy aparece hoje, todo mundo vai pensar em Brokeback Mountain, nossas referências mudam muito rápido. A mulher estereotipada se multiplicou, e além de propagandas, apresentam programas de humor, de variedades e são consideradas inteligentes. Além, é claro dos nossos reality shows, revelando a relevância de pessoas irrelevantes, que são esperados a cada temporada. Não tenho o mínimo know-how para falar disso pois não sei em que edição o bbb está, ou quem venceu o último. Nesses intervalos da programação nos deparamos com anunciantes nacionais, e regionais. E como meu título sugere, foquemos em regionais, mais especificamente em universidades que nessa época do ano jogam suas redes (isso NÃO é uma metáfora) para pegar seus peixinhos.

Propaganda de vestibular me irrita. Sério gente. É estúpido. Se você por acaso fez algum roteiro, produziu, criou algum comercial de captação de alunos, sério, eu estou ofendendo seu trabalho publicamente. Me indigna a hipocrisia, o textinho bizarro e as falsas promessas. Vamos combinar de uma vez por todas? O mundo mudou. A educação não. O mercado sim. O vestibular não é mais o seu passaporte para o mercado, como pregam alguns comerciais. Ele é no máximo um bilhete de ônibus. Sim, ônibus, porque esqueça o seu carro. Ele vai ser transformado em algumas 48 mensalidades, antes mesmo de você comprá-lo. Sim, você vai de ônibus para o mercado, porque, se não depender de você, a faculdade não vai te ajudar a desenvolver skills essenciais para a sua contratação. Olha, basicamente os skills são, ter sagacidade, ser esperto, honesto, paciencia, saber LER, escrever e interpretar. No mínimo. Depois vem outros skills mais avançados, mais deixemos isso pra depois, pois varia de carreira para carreira. Os que estão acima, são universais, servem para um fisioterapeuta ou um físico.

Em se tratando de fisioterapeutas - sim, pode falar que é preconceito ou pré-julgamento. Mas prestenção no que eu vou contar agora… hoje eu fui pra aula, e só tinham 2 alunos na aula. Eu e mais um… os outros estavam montando um trabalho em outro ambiente, e a outra banda estava lá em baixo em um bota fora da turma de Fisioterapia apoiado pela faculdade. Uma algazarra do caralho, um som alto com muita buzina, pois os sem-noção se empilharam na rua no formato de poli-centopéia humana e ficaram berrando e ouvindo funk, pagode e whatever até chamarem a polícia depois das 22h. Claro que estava impossível ouvir o professor na minha aula né? Mas absurdo foi eu perguntar para o professor como a faculdade não tomava uma providencia e ele responder que a faculdade incentivava eles comemorarem o bota fora deles… e logo, num instante de pensamento maldoso, eu pensei: WHATAHELL esses caras estão comemorando? Tá, vou me poupar de falar o que eu pensei, mas vou resumir o seguinte. Eles assistiram o comercial tosco e acreditaram no passaporte para o mercado, passaram 4 anos estudando (muitos no bar), e agora estão comemorando o fim de uma etapa e começo da outra. A etapa profissional, achando que é o Greencard do mercado. Passam-se meses, e poucos arrumam um trabalho digno, que pague um salário bacana e com uma projeção de carreira estimulante. Bom, não demora para perceber que o passaporte vira o bilhete de entrada para um ônibus sujo e suado. Sim, o passaporte foi vendido da forma mais estúpida: “compre o que estamos vendendo e você ganha o passaporte”. Você pouco precisará se esforçar para isso, pois mesmo que você não saiba ler, escrever ou mesmo que não seja esperto, nós te damos ele. Nós te aceitamos como você é. Não cara, para tudo! Isso não é a cinta do Dr. Rey, nem as facas Ginsu. Infelizmente, a verdade é que não existe caminho fácil. Claro que tudo que eu cito aqui tem pesos e medidas para cada profissão e cada estudante, e um pouco da minha decepção com o meio acadêmico também conta. Hoje mesmo, dia terrivel e um stress do caralho para um grupo executar um trabalho, que a chance de dar merda é inversamente proporcional ao envolvimento das pessoas.

Pessoas que acreditam que já deram entrada no seu passaporte, e que ele estará disponível daqui a um ano para elas viajarem. Até elas descobrirem que a viagem é longa - e de ônibus.

22 November, 2010

Paradigmas da educação

Filed under: Educação — Tags: , , , — Ludmilla Rossi @ 1:52 am

O assunto não é novo, mas o vídeo conheci hoje. Sobre os paradigmas da educação, a epidemia do “déficit de atenção”, a “serialização de estudantes” e a falsa sensação de que diploma é emprego.

Vamos lá mídia de massa, que tal ao invés de falarmos tanto de redes sociais e celebridades do Twitter, tecnologias emergentes na web - abordarmos esse assunto tão tangente e tão sério.

Por alguns anos achei que eu era uma filha chata de reclamar todo dia para minha mãe que muita coisa que eu aprendia na escola era inútil e que eu preferia ficar desenhando em casa. Claro que minha mãe não deixava eu faltar e eu ficava desenhando na sala de aula, geralmente assistindo apenas aquelas que interessavam. Hoje vejo que para as crianças que estão na escola, isso é ainda mais grave e saliente. Não dá para aprender pois muita coisa é chata. E inútil. E unilateral. E bora anestesiar a criançada.

13 May, 2010

Design de Interiores Unisanta - Let´s get started!

Filed under: Diarinho, Educação — Tags: , , , , — Ludmilla Rossi @ 11:22 pm

Ok, eu sabia que isso iria acontecer uma hora ou outra, primeiro que eu iria ter vontade de postar aqui sobre isso, segundo que obviamente, por uma questão de repertório e vivência corporativa eu iria responder de uma forma não tão pacífica em relação a situações que não concordo.

E, nesta semana isso aconteceu pela primeira vez, e vou documentar aqui minha saga para acompanhar a reversão deste quadro. Comecei a faculdade em fevereiro, e logo na primeira semana de aula tomei uma bronquinha pública de um professor porque cheguei atrasada 50 minutos na aula. Eu estava chegando de reuniões em São Paulo, depois de um dia cheio e o professor - José Luiz Camaz meu deu uma bronquinha pública que aboli. No final da aula expliquei a situação para ele, mas não visualizei compreensão por conta da outra parte. Na semana seguinte esse mesmo professor, segundo algumas alunas da minha classe, resolveu não dar uma aula porque a sala que ele usava estava ocupada. Foi a minha vez de fazer uma queixa para o coordenador do curso, pois achei isso bem chato e desnecessário (principalmente para quem deixa o trabalho do escritório pela metade para ir pra aula). Hoje já tenho uma visão consolidada sobre este professor, que passou a agir de forma mais humana e tolerante com a turma, e o considero um bom professor. A matéria dele me interessa, e é bastante aproveitável dentro do meu mercado de trabalho (que nada tem a ver com design de interiores). O mal estar inicial com ele passou e, apesar de por hora não ter muito sucesso tento não chegar atrasada na aula dele, e hoje está entre minhas aulas favoritas.

Bom, isso faz um tempo já… nesta semana rolou uma situação com o Nunes, que pra mim até então neste primeiro semestre dá a melhor aula ever, que é de história da arte. Eu gosto da aula dele porque ele é (assim como eu) apaixonado e entusiasmado com o conteúdo que ele ensina. E não há nada melhor do que ter aula com um professor assim… apesar de muitos aulos acharem a aula dele um porre, eu discordo. É uma aula bem interessante que todo mundo deveria prestar muita atenção, porque não é só design de interiores, e sim está relacionada a cultura, repertório humano e turismo \o/. Faz bastante diferença para mim, pelo menos. Ontem eu acabei discutindo com ele porque (em uma aula que eu faltei) ele separou a aula em 3 grupos de mais ou menos 20 pessoas cada. Isso mesmo, 20 pessoas… cada pessoa teria que fazer uma pesquisa sobre um tema, e o meu grupo ficou com a história da arte no Brasil. Acontece que se já é difícil conseguir harmonia para fazer um trabalho acadêmico em 5 pessoas, imagine com 20. E eu resolvi fazer um comentário (levemente ácido, admito) com ele no meio da classe dizendo que “na história da educação isso nunca deu certo”. Ele ficou meio bravo comigo, expliquei meu ponto de vista e (apesar dele não ter explicado) entendi o ponto de vista dele. Mas apesar de eu estar tentando organizar o grupo, ainda não acredito que isso vá funcionar porque o comprometimento acadêmico das pessoas é ABSOLUTAMENTE diferente do comprometimento profissional. Um grupo de 10, 20, 30, 10o pessoas realizando um trabalho profissional dá certo, pois além de existir comprometimento, existe meritocracia e, de acordo com um número de pessoas, uma hierarquia definida. Em uma classe, onde todos os alunos pagam o mesmo valor para estudar, mas que cada aluno está em um momento profissional e de vida diferentes, isso dificilmente dá certo.  E isso não é uma crítica, mas apenas um posicionamento transparente.

Hoje, depois da leve discussão com o Nunes ontem, eu discuti mais feio com uma professora, e vou fazer questão de documentar isso. Em 9 de março de 2010, comecei um curso na ESPM (Ações Inovadoras em Comunicação Digital), todas as terças e quintas que durou até 1º de abril. Faltei na faculdade durante esse período, preenchendo um requerimento para comunicar as minhas faltas. Na boa, entre uma faculdade for fun, e um curso relevante para o meu mercado de trabalho, obviamente vou escolher meu trabalho que eu amo. E faltei mesmo. Para suprir isso, tentei adiantar todos os trabalhos possíveis. E um deste trabalho era construir módulos, ou, falando mais objetivamente construir tiles ou patterns, coisa que vamo lá né gente… não é novidade para mim e eu faço de olhos fechados. Cheguei humildemente na professora e fiz a seguinte pergunta: “Professora, como vou faltar nas próximas semanas posso adiantar meu trabalho no Corel?”. Ela respondeu que sim, e ao sair da faculdade, imediatamente cheguei em casa e fiz o trabalho para entregar com MUITA antecedência. Se eu não me engano o trabalho era para o início de abril… como eu faltei durante este período todo, fiz meu trabalho no começo de março e deixei algumas cópias na minha pasta, e outra cópia para a Tati, que entregou o trabalho para mim assim que elas pediram.

Bom, hoje elas devolveram meu trabalho com as notas… comecei a procurar o meu trabalho no meio de um monte de folhas A3 e não o encontrei. Chamei a professora e disse “Professora, não encontro o meu trabalho. Era um bloco de folhas A4, coloridas”.

Começou aí o problema. Ela disse que o trabalho não deveria jamais ser entregue em A4 (até aí beleza) e muito menos em Corel (WTF????), e que meu trabalho não estava com ela pois ela não aceitaria nunca um trabalho colorido e em Corel e que não deveria abrir uma exceção para  mim (sendo que eu não pedi isso em nenhum momento). Enfim, rolou uma discussão pois sinceramente achei absurdo que me comprometi com a data e no final das contas isso não foi levado em conta, e ela ficou discursando que todo mundo tem seus problemas, que não dá pra ser boazinha com peão de obra (???????????), e blablablabla. Mandou eu fazer o trabalho e entregar na próxima semana…

Ok, a poeira baixou e fomos para uma outra sala para ela explicar o próximo trabalho. Ouvi atentamente e enquanto conversava com a Joyce sobre o próprio trabalho rolou uma bronquinha pública. Continuei ouvindo e a professora de novo começou a discursar para a classe toda “não adianta o produto final, adianta o processo que vcs controem em sala de aula, blablabla, se vocês faltam é problema de vocês, aqui não é faculdade a distância, blablabla, eu quero saber do processo em sala de aula”. Altamente direcionado e militante. Não tive outra reação. Levantei a mão e falei o seguinte “Professora, não quero que meu comentário pareça insolente, mas se tem uma coisa que é fato é que processo bom é processo documentado. Então, já que metade da classe não está aqui, gostaria de sugerir que vocês colocassem estas informações documentadas no MATERIAL DIDÁTICO (sistema da faculdade de postagem de conteúdo pelos professores), pois certamente se o conteúdo do trabalho anterior estivesse lá, nós não teríamos discutido hoje.”

Ela ficou irritada parte 2. Disse que essas informações já estavam no material didático (acabei de checar e NÃO estão, bem previsível). Começou a discursar sobre o MEC, avaliação do MEC, que ela dava aula há 12 anos na Unisanta e Unisantos, etc etc etc. Ouvi quieta, tirei as dúvidas que restavam e saí da classe. Fiquei nas bancadas lá fora definindo o próximo trabalho com o grupo, tiramos umas dúvidas, e isso ainda eram 21:30. Meu grupo foi embora, e eu a abordei e disse: “Professora, são 21:30. Vocês ficarão aqui até 22:30h?”. Ela perguntou o porque e eu disse que conseguiria fazer o trabalho (o anterior) e entregar para ela ainda hoje. E ela respondeu com um sonoro “não precisa, entrega semana que vem”. Tipo, an??? Bom, eu juro que tentei ser simpática. Ela disse “eu não tenho interesse em ferrar vocês, etc etc”. Eu respondi, sem qualquer ironia “Professora, eu entendo que vc quer ser legal e tal, eu sei que vocês são boazinhas, acabam a aula mais cedo pra liberar a gente, eu entendi”. Tipo, ela fez uma cara super feia e ficou puta com o que eu disse (de acabar a aula mais cedo). Ela achou que era uma super crítica (sendo que não era), e soltou: “é melhor vc não falar mais nada, viu?”.

Gente, parei. Vou lá fazer o meu trabalho (passar para o papel algo que já está feito completo digitalmente - isso faz algum sentido?) e tentar decidir se eu calo a minha boca ou se eu sou transparente. Por mais que eu fique marcada, ou seja prejudicada em notas acho melhor sempre optar pela segunda opção. Sinceridade sempre. A verdade dói, mas constrói.

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