Enfim, já havia pensado em fazer isso há um tempo, mas agora vou fazer de fez. Tenho razões para isso, e compartilhar toda a trajetória desde julho de 2004 com outras pessoas que estejam procurando em sites de busca por FIBROSSARCOMA (FELINO) talvez ajude a alguns donos de gatinhos tomarem decisões acertadas. É meio longo, por isso preferi dividir em partes.
Começou quando eu achei um carocinho do Carlitos, entre o dorso e a pata. Um carocinho do tamanho de um feijão, pouca coisa maior. Nada para alardear, poderia ser alguma reação, um cisto cutâneo ou whatever. Enfim, estávamos em julho de 2004, e levei o gato no veterinário mais “famoso” de Santos. Não estou citando nomes né? You know who. Se quiser saber me mande um e-mail e eu falo quem.
Meu gato foi atendido, e foi sugerida uma cirurgia, na qual eu paguei (ou melhor - rasguei dinheiro) R$ 210,00. Foi removido o caroço. Um corte que eu achei maior do que deveria, mas depois entendi que isso se chamava “margem de segurança”. Perguntei ao Dr. o que era, e ele respondeu:
- Não é nada demais, fique tranquila.
Ótimo… se você acha que está pagando um bom profissional, e ele fala isso para você, você se tranquiliza. Ilusão. Saí de lá com o gato. Até aí tudo certo, ele se recuperou e 1 semana depois da cirurgia apesar dos pontos já subia em cama, tinha o comportamento normal.
Daí passou um ano… coincidentemente 1 ano depois da cirugia, ou seja em meados de agosto de 2005 eu estava numa correria profissional danada, mais precisamente estávamos na Mkt Virtual entrando em uma nova etapa da empresa com uma equipe nova, estávamos produzindo www.pokopano.com.br e www.charliebrownjunior.com.br, enfim, aquele mês que acontece tudo.
Passei a mão no gato e senti um carocinho, pertíssimo do lugar da cirurgia anterior… pronto, pensei, voltou. Enfim, desconfiada e já com medo, pensei em levar em outro veterinário… tudo indica que não deu muito certo. Fiz uma consulta genérica, me encaminharam para exames com ele e etc.
Desconfiada de ser algum tipo da câncer a vet me indicou para uma oncologista verterinária, chamada Fernanda Malatesta, que coincidentemente havia estudado comigo no 3º colegial. Ela, sabendo que o gato tinha passado por uma cirurgia, pediu o resultado da biópsia. Aí começa a parte trágica e polêmica da história…
Liguei para o veterinário antigo. Para ele não pensar que eu estava trocando-o por outro profissional (até porque inicialmente eu não pretendia trocar, eu queria uma segunda opinião, afinal, até então eu achava que o cara era bom) eu falei que precisava da biópsia pois uma amiga de minha mãe estava se formando e queria usar o caso dele para estudo, já que era um gato bem obeso e etc.
Ok… mentir é feio, mas nesse caso era a melhor saída para o cara não pensar em reter o exame. Bom, passou 1 dia… 2 dias… e nada do resultado da biópsia. Liguei cobrando e rodando a baiana, repetindo pela enésima vez a data de cirurgia do gato, que foi em 21/07/2004.
Recebi um fax, e liguei toda feliz para a veterinária Fernanda, pois afinal ali não falava nada de neoplasia, câncer, tumor ou etc. Li tudo que estava no exame via telefone para ela. Ela faz uma pausa e responde…
- Peraí, tem alguma coisa errada. Seu gato não tem absolutamente nada na virilha. Checa isso com eles lá.
Bom, graças a deus uma luz divina me bateu essa hora. No rodapé tinha o telefone do laboratório que fez a biópsia. Liguei para lá… expliquei a situação já pedindo uma explicação deles de como um exame poderia ter vindo errado para mim. A menina pediu desculpas, e é mais fácil entender o diálogo abaixo:
- Como vocês mandam um exame errado para mim? - eu disse.
- Por favor, me fala qual é o nome do animal no cabeçalho, e a data do exame?
Pensei por um minuto. Que cabeçalho? Não tinha cabeçalho. E respondi…
- Olha, o nome do meu gato é Carlitos. Mas aqui não tem cabeçalho não. E nem data. Aliás tem uma data asim, embaixo da assinatura.
A menina deve ter achado que eu não sabia o que era um cabeçalho e respondeu:
- Então, mas tem que ter o nome do bicho aí. No cabeçalho, embaixo do logo.
- Não tem nenhum nome, cabeçalho aqui.
- Me manda o exame por fax.
Mandei o exame por fax… uma hora depois ligo lá e me passam para a dona do laboratório. E ela me explica.
- Olha Ludmilla, esse exame não é de um gato, é de um cachorro chamado Trusca, de 10 anos de idade.
- Como assim?
- É, mandaram um exame errado para você, este exame é de 31 de maio de 2005.
- Como assim? Meu gato foi operado em julho de 2004!
- É, mas esse exame não é dele.
- Mas olha a data aí em baixo… 22/07/2004! Embaixo da assinatura.
A moça ficou muda. O exame estava assinado por um tal de Luiz com a data de 22/07/2004… porém, o pai dela havia morrido recentemente e ela fez questão de dizer que a data foi forjada pois em julho de 2004 o pai dela estava vivo e era o único que assinava os exames. Ela começou a ficar revoltada com o que acabávamos de descobrir juntas e passei quem era o veterinário e etc. Não sei que medida ela tomou, eu fiquei com vontade de fazer milhares de coisas.
- Bom, acho que temos um problema. Esse exame original é de 31 de maio de 2005 e ele foi assinado por outro médico, pois meu pai faleceu. Só que se o exame fosse do seu gato, teria sido meu pai que teria assinado. Em julho de 2004 ele estava vivo e trabalhando. - disse ela.
Olha, ainda bem que eu fui pesquisar, pois esse fato em ajudou a tomar a decisão acertada de trocar definitivamente de veterinário. Meu gato teria vivido meses na mão desse cara sem qualquer pingo de respeito pelos bichos.
Enfim, a conclusão foi: os caras não fizeram biópsia de nada. Devem ter fritado o caroço do meu gato e colocado na salara ou dado como candy de pitbull. Mas biópsia que é bom nada… e lá fomos nós fazer a biópsia, de verdade… e aí ele já tinha um fibrossarcoma levemente aderido.
Ou seja, se tivesse sido diagnosticado em 2004 como fibrossarcoma, daria para ter sido feito outro tratamento, outra ação.
Enfim, depois que descobrimos, o Carlitos passou por uma cirurgia drástica em 21 de março de 2006. Nessa época eu também estava num furação profissional com o “Ela vai voltar“. Ele ficou aberto durante uns bons meses com minha mãe como enfermeira dele. Mas ainda sim tava lá, subindo em cama mesmo cheio de pontos, e fazendo a baderna de sempre. Nada mudou…
Fizemos ultrassom um pouco antes da cirgurgia e notamos uma mancha de 0,5 cm no fígado, mas não havia muito o que fazer com ela. Depois da cirurgia, ele começou a fazer quimio, espaçadas. E até então foi tudo ótimo, em novembro ele estava totalmente recuperado…
E, em junho, descobrimos novos carocinhos em outro lugar. Não havia muito o que fazer… em agosto ele estava superbem.
Em setembro, em uma determinada semana vomitou algumas vezes. No sábado, dia 15/09 vomitou 3 vezes. Na segunda levei no vet. Tomou soro e etc… na terça, estava em São Paulo em reuniões e cheguei em Santos quase meia-noite e vi que ele não tava bem… não comia, não bebia, o que era muito raro pra ele. Levei no vet, tomou soro até 4h da manhã…
No dia seguinte vet de novo, na quarta dia 19… fizemos exames, e como eu bastante uréia no sangue a Fernanda achou melhou deixá-lo no soro o dia todo e eu o buscaria a noite. E aí, ao invés de levá-lo pra casa neste dia, tive que deixá-lo lá. Mas ele não estava mais vivo, e a continuidade da história, está aqui.
Depois continuo falando mais informações sobre o fibrossarcoma em gatos e pontos controversos dessa história toda.