Um blog sobre nada específico, escrito por quem ama gatos, design e gosta de fazer muitas coisas.
Hoje estava na faculdade e fui surpreendida com a notícia da morte de Toninho Dantas, idealizador do Curta Santos, que me envolvi em alguns anos atrás de forma intensa com o site, e menos intensa recentemente só com trocas de informações.
Não queria me estender, meu pois serve apenas registrar aqui o seguinte texto, e a seguinte música:
Por fim, quais as expectativas para esta 8ª edição?
Com alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo, gostaria de ver os pipoqueiros afunhenhados sem dar vazão a tanta pipoca para uma fila interminável, de ver platéias lotadas aplaudindo e vaiando delirantemente seus preferidos, mas, concretamente, que estudemos e celebremos o presente momento do cinema nacional, que gritemos por uma distribuição mais sólidos e democráticos, que o público e os realizadores venham para uma troca ansiada. E que, ao final, todos saiamos renovados e prontos para novas lutas.
Fonte
Toninho sempre quis trazer a @laisbodanzky para o festival. Ele sempre queria os sites mais loucos, as viagens mais coloridas, os layouts mais livres. Fazer o site do 5º Curta Santos foi um marco na história da Mkt Virtual. O Toninho era um dos nossos grandes entusiastas, nunca deixou de proferir um elogio quando nos encontrava. Era fã de Charlie Brown Jr., e de tudo que era estético, e de tudo que nascia em Santos.
Que quem ficou consiga continuar o que ele sempre quis que fosse eterno.
E fica, uma letra que tem tudo a ver.
Só Os Loucos Sabem
Charlie Brown Jr.
Agora eu sei exatamente o que fazer
Bom recomeçar poder contar com você
Pois eu me lembro de tudo irmão, eu estava lá também
Um homem quando está em paz não quer guerra com ninguém
Eu segurei minhas lágrimas, pois não queria demonstrar a emoção
Já que estava ali só pra observar e aprender um pouco mais sobre a percepção
Eles dizem que é impossível encontrar o amor sem perder a razão
Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião
E disso os loucos sabem
Só os loucos sabem
Disso os loucos sabem
Só os loucos sabem
Toda positividade eu desejo a você
pois precisamos disso nos dias de luta
O medo cega os nossos sonhos
O medo cega os nossos sonhos
Menina linda eu quero morar na sua rua
Você deixou saudade
Você deixou saudade
Quero te ver outra vez
Quero te ver outra vez
Você deixou saudade
Agora eu sei exatamente o que fazer
Bom recomeçar poder contar com você
Pois eu me lembro de tudo irmão, eu estava lá também
Um homem quando esta em paz não quer guerra com ninguém
ó, fazia tempo que eu não ficava contente de assistir um clipe. São poucos aqueles que me impactam pra valer.
O meu top top é de uma música desconhecida de um cantor que não pintou por aqui ainda, mas une uma direção de arte impecável, roteirinho engraçadinho e expressão de atuação.
Clique aqui e veja Kennedy - Your mama.
Mas, nesta semana descobri um videoclipe que disputa o posto de toptop. Ele é 70 Million da banda franco-americana Hold Your Horses.
O clipe foi produzido pela francesa L´Ogre, e une a reconstrução de obras de arte consagradas (da “Marilyn” de Andy Wahrol até “A Lição de Anatomia do Dr. Tulp” de Rembrandt), unindo numa mesma obra estilos antagônicos mas que são relacionados pela expressão dos atores e pelos picos de bom-humor (o que é aquela Frida Kahlo, OMFG!). Para ver, rever e guardar. A música também é boa, e vou procurar mais sobre a banda.
Abaixo, toda a genialidade deste clipe:
70 Million by Hold Your Horses ! from L’Ogre on Vimeo.
Hold Your Horses! 70 Million
And it hardly looked like a novel at all,
I hardly look like a hero at all
And I’m sorry, you didn’t publish this
And you were white as snow; I was white as a sheet
When you came down in this black dress
In your mom’s black maternity dress
And so,
Though it hardly looked like a novel at all,
And the city treats me, it treats me to you
And a cup of coffee for you
I should learn it’s language and speak it to you
And 70 million should be in the know
And 70 million don’t go out at all
And 70 million wouldn’t walk this street
And 70 million would run to a hole
And 70 million would be wrong wrong wrong
And 70 million never see it at all
And 70 million haven’t tasted snow
And we dance dance dance like the children dance
Imply thought are we taking the chance?
With the light still on, and will we ever reach the tower
And after you came down in this black dress
I don’t know what took so very long
And this,
And this isn’t a war, we don’t have to ration
Now wave white flag, and you kept it at home
And words I wrote from a foreign land
You’re holding my no longer foreign hand
And 70 million should be in the know
And 70 million don’t go out at all
And 70 million wouldn’t walk this street
And 70 million would run to a hole
And 70 million would be wrong wrong wrong
And 70 million never see it at all
And 70 million haven’t tasted snow
Eu estava no aeroporto, na Laselva, e um livro me escolheu. Juro que eu entrei pra comprar só uma Vogue pra sossegar a minha tensão por voar dali a uns instantes (Vogue é calmante, acreditem). Peguei a Vogue e esbarrei com uma pilha de livros. Li as primeiras páginas e quis comprar. Perguntei o preço, e deixei no caixa, passei o cartão. Pensei logo depois de digitar a senha, e decidi levar o livro. Comecei a ler no instante seguinte, enquanto o chá de aeroporto rolava solto. Entrei no avião, e continuei devorando o livro. Durante a semana de férias que tive (no começo de fereveiro), o livro disputava minha atenção com a praia. O li várias vezes na piscina e nos intervalos entre os passeios. O livro era “Wilson Simonal - Ninguém sabe o duro que dei”.
Conhecia muito pouco a obra do Simonal. Em 2005 meu pai me gravou um CD com algumas músicas brasileiras antigas, entre elas Wilson Simonal, Originais do Samba, Jorge Ben Jor e companhia. Adorava algumas, principalmente Sá Marina e Nem vem que não tem, cujo os nomes eu mal conhecia e faziam parte do meu casual listening.
Trombei com alguns vídeos do Simonal no YouTube, durante a divulgação do documentário “Ninguém sabe o duro que dei”, que ainda não assisti. Passei a ouvir bastante e a querer assistir o doc. O assunto morreu aí, e foi redescoberto no livro.
Em 2002, quando a saudosa Mythos completou 1 ano de vida, teve um show do Max de Castro. Na ocasião eu não sabia nem quem era, quando falaram que ele era filho do Simonal, continuou na mesma. Apenas 3 anos depois que conheci a obra de Simonal. E agora, 8 anos depois, o livro de Simonal veio me ensinar mais uma história de vida, superação e reflexões que falarei a seguir.
Mas antes, um vídeo histórico, de 1970.
Wilson Simonal e Sarah Vaughan dividem o palco.
Não precisa assistir o vídeo todo, os primeiros minutos já valem.
E já que estamos no contexto Dionne Warwick, Wilson Simonal cantando I´ll never fall in love again.
Essa versão é imperdível!!!
O livro, ao mesmo tempo que traça a biografia de Simonal, conta a história do cenário musical em uma época que todos os artistas brasileiros contemporâneos eram iniciantes em busca de um lugar ao sol. Fala bastante das épocas dos festivais e do fervor que Wilson Simonal provocava. Conta bastidores de shows e programas de televisão e transporta o leitor para as décadas de 60 e 70. Tv male-male, sem Internet, sem celular, sem MP3. O sucesso se espalhando pela TV, rádio e boca-a-boca. O livro fala bastante de quando e quanto Simonal atingiu o auge, feito bastante raro para um negro, pobre e nascido em condições com poucas perspectivas.
Simonal ascendeu, e seu sucesso subiu a sua cabeça. Um dos trechos mais marcantes do livro para mim é quando ele retrata que Simonal, visando mais lucro, resolve montar sua própria estrutura para organização de shows (uma empresa chamada Simonal Produções), resultando em uma máquina inflada, com pouca competência de gestão, uma grande desorganização financeira, que de forma indireta resultou na bola de neve e na decadência artística e moral de Wilson Simonal. Abre parênteses: já se fala de encargos trabalhistas altíssimos e competência administrativa. Fecha.
A Simonal Produções consumiu algumas conquistas de Simonal. Um de seus ex-funcionários, Viviani, foi um dos pólos de toda a merda, unindo desconfiança com a prepotência de Simonal, que acarretaram em sua fama de dedo-duro. Daí, muita gente já sabe a história.
Uma carreira, um talento, uma família, a moral, a realização plena, o sucesso, as conquistas. Não sobrou nenhuma dessas coisas inteiras para Wilson Simonal. Para se ter uma idéia, Roberto Carlos ainda não era conhecido e Simonal já ocupava o posto do maior cantor do país, e disputava o posto de “negro mais famoso” com o Pelé. O Brasil virou as costas para ele, por conta de boatos que tomaram proporções incontroláveis.
Após ler este livro, tenho a plena certeza que a maior parte das pessoas não fazem idéia de quão destrutiva pode ser uma de suas opiniões transformadas em boatos. Jaguar diz que não se arrepende de ter feito a tirinha em O Pasquim, e sustenta que ele não conseguiria destruir um astro como Simonal. Mas um humor fora de hora em cima de uma atitude fora de contexto por parte de Wilson Simonal foi o epicentro. Um comentário inocente, uma atitude errada podem ser transformar em percepções de terceiros bem graves. Um achismo destruiu a carreira de um artista de proporção nacional. O que pode fazer em menor escala, em uma família, uma escola, no meio corporativo?
Simonal morreu com uma angústia dolorosa e mal resolvida, tentando provar com papéis embaixo do braço (até no hospital), de forma psicótica, que não era um dedo-duro e que não entregava artistas para a ditadura. Óbvio, o livro também não coloca Simonal como santo, é imparcial. Seu ego, prepotência e posicionamentos são questionados mas apresentados de forma imparcial. O que não é colocado de forma imparcial: como julgamentos coletivos em cima de inverdades ou achismos podem afetar a relação de um país inteiro com um artista, que no fundo é uma pessoa, parte de uma família. O país inteiro continuou a viver, consumindo novos artistas e canções. Simonal não morreu nesta época, mas o país o matou psicologiamente sem ao menos ter pedido desculpas. Certamente os artistas que se afastaram de Simonal na época por conta do boato, se questionam hoje como tudo podia ter sido diferente.
O Brasil pede desculpas para Si.
Moral do livro: alô você, que imaginou algo e passou pra frente sem ter certeza, que ficou com raivinha e aumentou uma história, que fez uma fofoca ou passou um boato pra frente, tá na hora de pedir desculpas. Para você mesmo, e depois para quem foi vítima do seu achismo. Peça em silêncio. Ou cantando. Não importa.
Ahahahahahaha!
-”Vamos voltar a pilantragem.
Xá comigo, uma musiquinha
Prá machucar os corações”
Ontem foi o show da Dionne Warwick no HSBC Brasil, que eu estava super esperando. Não é a primeira vez que eu e o Maurício a assistimos ao vivo. A primeira foi em Santos, no Mendes Convention Center.
O que mudou desta fez foi que o filho da Dionne Warwick estava com ela no palco. Ele abriu o show, e fez um dueto com ela cantando That´s what friends are for (leia a história desta música), uma das letras mais fodas do Burt Bacharach (que aliás eu assisti há 1 ano atrás, em abril de 2009 no palco do HSBC Brasil também), resultando em uma puta apresentação. No total foram 25 músicas, e 2h de show.
Abaixo os 2 no programa do Jô, nesta semana, cantando I say a little pray for you (composição do Burt Bacharach também).
O resumo do show é o seguinte: ela cantou algumas músicas que ela não havia cantado em Santos. As que faltaram foram Close to you e The look of love. CTY ela cantou em Santos, e TLOL eu nunca a vi cantando. Os pontos altos foram Alfie, I know I´ll never love this way again, e a insuperável This guy in love with you. Todas composições do Burt Bacharach.
Abrindo um parenteses para uma leve frustração de não ter tocado Close to you, o vídeo abaixo conta um pouco da história da música. Dionne Warwick gravou antes dos Carpenters (por ser uma das vozes preferidas do Burt Bacharach, para não falar A VOZ PREFERIDA dele). Este vídeo conta um pouco mais profundamente sobre a música. Bem interessante, principalmente por saber que naquela mesma categoria, naquele mesmo ano estavam concorrendo ao grammy as músicas Let it be (The Beatles) e ABC (Jackson´s 5). Foda! O vídeo abaixo é pra ser visto e revisto inúmeras vezes.
Voltando ao show, a culpa é do Ivan Lins, que fez uma participação especial, gripado e chatinho, mas que eu acho que fui a única que não gostei. Pra mim foi dispensável ocupar 3 músicas com ele.
Outra curiosidade é que Dionne estava usando exatamente o mesmo vestido do show de 2007 em Santos. Hehehe, ok, isso é uma curiosidade fashionista, mas é engraçado pensar os porquês. Como em Santos acabou sendo um público pequeno e há 3 anos ela deve ter pensado que não teria problema repetir, ou melhor, aproxima Dionne Warwick diva de nós mortais que repetimos roupa simmmmm! Eu fui com o mesmo vestido que usei a umas semanas atrás no prêmio Converge, só adicionando alguns acessórios diferentes e trocando o sapato e adicionando uma meia calça verde fluor. Ou, a última possibilidade é que rola uma falha do figurinista.
Enfim, voltando ao foco do show foi uma noite hiper especial, com minha família e meu amor, que certamente não será esquecida. Como eu adoro esses shows, são memoráveis e valem cada centavo. Apesar de não termos ficado num super próximo (igual ficamos no do Burt Bacharach), a visibilidade foi perfeita.
Precious seconds.
Algumas fotos:
Dionne Warwick comanda!
Essa música é amazing e eu queria ter estado nesse show.
If you really love him
And theres nothing I can do
Dont try to spare my feelings
Just tell me that were through
Chorus 1:
And make it easy on yourself
Make it easy on yourself
cause breaking up is so very hard to do
Verse 2:
And if the way I hold you
Cant compare to his caress
No words of consolation
Will make me miss you less
Chorus 2:
My darling, if this is goodbye
I just know Im gonna cry
So run to him
Before you start crying too
[repeat chorus 1]
Oh, baby, its so hard to do
Faz umas boas semanas, num sábado, saímos eu, Maurício, Danilo, Cacá, Alê e Preta. Papo vem, papo vai, e eu e a Preta ficamos conversando de “boiadas on-line”, ou seja, sites que vendem coisas muito legais a preços humildes para o povo do terceiro mundo que viaja pouco ter acesso a it products importados e absolutamente necessários (leia-se maquiagens, perfumes, creminhos, bolsas e etc).
Ficamos trocando figurinhas e eu contei pra ela sobre a incrível experiência do StrawberryNet (que, controladamente, fiz essa única compra), do MercadoLivre, do Privalia, do BleuDame (váaaarios óculos) e blablabla. Ela me contou que tinha arrematado umas coisas barateenhas e legais no Ebay. Mesmo jurassicamente usando a internet eu nunca havia tido uma experiência para o Ebay. Já tinha caído nele buscando coisas no Google, mas nunca tinha de fato usado o site.
Bom, comecei a experiência buscando um produto que queria há bastante tempo: um documentário sobre a história dos Carpenters. Procurei em várrrios lugares, em Santos, em São Paulo, em todas as grandes lojas virtuais, e a única coisa que achei foi o Carpenters Gold, por R$ 60. Nem rolou comprar, pois segundo o vendedor, no DVD não tinha nenhum documentário, e sim videoclipes. Para ver videoclipes usamos o YouTube, né gente?
O primeiro resultado no Ebay era justamente o que eu queria. O DVD do doc dos Carpenters de 1997. POR U$ 4,99. Para meu, não dá né? Mandei vir lá de Singapura o meu Dvdzinho, e eu tava crente que era de segunda mão! E não era… aí eu aprendi que no Ebay tem que ser malandrinho pra sacar as siglas NIB, NWOT, NWT e etc. Eu sei que o DVD chegou aqui, embalado, NOVO em folha por um preço ridículo.
Para apreciar:

Bom, aí eu comecei a entender que se foi tão fácil assim, eu iria achar outras coisas legais. Talvez algo vintage, relacionado ao meu gosto por música, mas que servisse pra decorar as paredes que estão na minha frente, mas que fosse baratinho. E achei isso:

O DVD já citado, e uma Music Sheet de 1969 dos Carpenters, da música Close to You. Todo desgastadinho pelo tempo, com uma ilustração completamente 70s, linda. Vou mandar emoldurar e colocar perto da minha mesa, já que coincidentemente as cores harmonizam perfeitamente com a Mkt.
Mas, o mais poético foi isso: você vira a página, e tem a partitura da música :O

Aí vc olha um pouquinho mais, e percebe que alguém já usou isso pra tocar. Por causa dessa marcação

“Gold and star-light in your eyes of blueeeee” tem uma marquinha azul do ex-dono.
Fofo, não?
:´(
PS.: O lençol completamente vintage foi pra combinar.
Essa letra é muito forte…
When I was young
I’d listened to the radio
Waiting for my favorite songs
When they played I’d sing along
It made me smile
Those were such happy times
And not so long ago
How I wondered where they’d gone
But they’re back again
Just like a long lost friend
All the songs I loved so well
(*) Every Sha-la-la-la
Every Wo-wo-wo
Still shines
Every shing-a-ling-a-ling
That they’re starting to sing’s
So fine
When they get to the part
Where he’s breakin’ her heart
It can really make me cry
Just like before
It’s yesterday once more
Lookin’ back on how it was
In years gone by
And the good times that I had
Makes today seem rather sad
So much has changed
It was songs of love that
I would sing to then
And I’d memorize each word
Those old melodies
Still sound so good to me
As they melt the years away
Repeat (*)
All my best memories
Come back clearly to me
Some can even make me cry
Just like before
It’s yesterday once more
Repeat (*)
Recomendo clicar em play pra ler o post.
“Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love’s made me
Free as a song singin’ forever”
——
Minha vó faleceu em 7 de novembro de 2008. No domingo, 7 de junho, fui na casa dela, exatos 7 meses depois, separar as coisas e ver se havia algo do passado que eu gostaria de resgatar. Aquele armário, que sempre pareceu um universo enorme para uma menina de 6 anos de idade, virou um guarda-roupa comum, aromatizado com naftalina e cheiro de madeira velha. Não acho esse cheiro ruim, e nem sei se é bem de naftalina. Mas era um cheiro típico da casa da minha avó. Depois de muitas horas, separei algumas roupas, algumas jóias, 3 óculos de sol (minha avó só tinha 3 óculos de sol!) e uma bolsa authentic vintage. Algumas fotos e cartas que abrirei daqui a um tempo.
Foi uma volta ao passado, de coisas que eu via esporadicamente quando vinha da Bahia para a casa dela. Aquele armário sempre foi um mundo paralelo. Eu tinha um medo inconsciente dele. A penteadeira eu abria minha vida inteira, e vasculhava cada canto. Os batons eu usava em 1986. Joguei fora umas sombras de bastão, apodrecidas que eu usava para me maquiar quando criança. Se eu soubesse teria arranjado umas sombras Renew pra minha avó.
Ela tinha mania de guardar coisas. Sabiamente ela guardou uma saia florida que não devia servir nela há anos, e acabou ficando perfeita em mim. Muitas coisas serão doadas. Dentre tudo que eu trouxe e herdei da minha avó, a maior parte das coisas não se guardam em caixas ou em armários.
Hoje minha mãe voltou na casa dela. Alguns cantos não haviam sido explorados ontem, um deles, em cima do armário. Minha mãe achou uma coleção de revistas Geração POP, de 1973, 1974, 1975… Ok, qual é a graça em cima dessas revistas amareladas? Um parênteses para essas coisas que a gente não encontra, mas encontram a gente. É clichê falar que a gente não é do nosso tempo. É chato falar como um velho rabugento que afirma que as coisas eram melhores antigamente. Mas é fato que a música hoje não me encanta como a música florescida em décadas passadas.
Sempre comento com o Maurício que eu me imagino ligando um toca-fitas antigo, num carro antigo, ouvindo o último hit dos Carpenters. Ou indo além, como deve ter sido mágico viver numa época em que Carpenters e Diana Ross disputavam as primeiras posições da Billboard. Imagine entrar em qualquer boteco que você entre estar tocando Only Yesterday ao invés de Calypso ou Ivete Sangalo. Não é uma questão de viver DO ou NO passado, mas sim de realmente admitir que a criatividade musical da humanidade já teve o seu ápice nos últimos 100 anos (ou 1000 anos). E que se é pra este ápice ser superado, que seja se forma convincente. O ATARI está no passado, mas não é o ápice dos videogames. Mas musicalmente a humanidade ainda não superou as 3 décadas de 60 a 90. Sorry.
Voltando a revista Geração POP, minha mãe me trouxe essas revistas, sobre as quais eu jamais tinha ouvido falar. Sou de 82, a revista nasceu uma década antes de mim, em 1970 pela Editora Abril. Me emocionei ao abrir os exemplares e meus olhos encontrarem a estética que eu facilmente adotaria hoje para viver. Me senti mais confortável e ambientada com o mundo que eu encontrei na Geração POP do que o que eu encontro na NOVA. Eu conhecia todos os artistas que estampam a revista: Cat Stevens, Diana Ross, Barry Manilow… pensei comigo que seria simplesmente fabuloso achar uma revista que trouxesse os Carpenters como matéria central. E foi o que aconteceu quando eu tirava as revistas da caixa.
“Nós ainda acreditamos no amor” - Os Carpenters é a matéria de capa de um dos exemplares. Coloquei Only Yesterday pra tocar e por uma fração de segundos eu me transportei 20 anos atrás. Curiosamente procurei na internet sobre o que aconteceu com a revista Geração POP, e aí vai…
A Geração Pop – também conhecida apenas como pop, já que o logotipo põe esta palavra em destaque – era de música pop em geral. Seu estilo era mais comportamental, mainstream, não se prendendo ao rock, mas a outras tendências populares da música jovem, como a soul music (Jackson Five, Stevie Wonder) e o pop romântico (Carpenters, Elton John). A decadência da revista se deu porque ela não conseguiu acompanhar as tendências musicais atuais. Sobre o punk rock, arriscou-se a fazer matéria fictícia, com dois meninos de rua, aparentando pivetes, que seriam integrantes de um inexistente grupo de punk rock. Foi sua sentença de morte.
Fonte
Depois de 36 anos, que mantiveram sacos plásticos e a rotina afastando as revistas dos meus olhos, a Geração POP não conseguiu acompanhar as tendências musicais atuais. Mas ela nunca precisou mesmo fazer isso. Ela encontrou seu nicho, chegou ao seu target com um atraso de quase quatro décadas. A maior parte dos artistas presentes em suas páginas não deveriam ser substituídos por tendências atuais. Ler essa revista hoje não é voltar ao passado, mas sim reconhecer que o passado não é obrigatoriamente substituído pelo presente apenas pelo frescor do seu tempo, mas sim pelo frescor de sua criatividade. Tomorrow may be even brighter than today.
(Eu disse, maybe).
Letra completa de only yesterday dos Carpenters
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