Um blog sobre nada específico, escrito por quem ama gatos, design e gosta de fazer muitas coisas.
Faz umas boas semanas, num sábado, saímos eu, Maurício, Danilo, Cacá, Alê e Preta. Papo vem, papo vai, e eu e a Preta ficamos conversando de “boiadas on-line”, ou seja, sites que vendem coisas muito legais a preços humildes para o povo do terceiro mundo que viaja pouco ter acesso a it products importados e absolutamente necessários (leia-se maquiagens, perfumes, creminhos, bolsas e etc).
Ficamos trocando figurinhas e eu contei pra ela sobre a incrível experiência do StrawberryNet (que, controladamente, fiz essa única compra), do MercadoLivre, do Privalia, do BleuDame (váaaarios óculos) e blablabla. Ela me contou que tinha arrematado umas coisas barateenhas e legais no Ebay. Mesmo jurassicamente usando a internet eu nunca havia tido uma experiência para o Ebay. Já tinha caído nele buscando coisas no Google, mas nunca tinha de fato usado o site.
Bom, comecei a experiência buscando um produto que queria há bastante tempo: um documentário sobre a história dos Carpenters. Procurei em várrrios lugares, em Santos, em São Paulo, em todas as grandes lojas virtuais, e a única coisa que achei foi o Carpenters Gold, por R$ 60. Nem rolou comprar, pois segundo o vendedor, no DVD não tinha nenhum documentário, e sim videoclipes. Para ver videoclipes usamos o YouTube, né gente?
O primeiro resultado no Ebay era justamente o que eu queria. O DVD do doc dos Carpenters de 1997. POR U$ 4,99. Para meu, não dá né? Mandei vir lá de Singapura o meu Dvdzinho, e eu tava crente que era de segunda mão! E não era… aí eu aprendi que no Ebay tem que ser malandrinho pra sacar as siglas NIB, NWOT, NWT e etc. Eu sei que o DVD chegou aqui, embalado, NOVO em folha por um preço ridículo.
Para apreciar:

Bom, aí eu comecei a entender que se foi tão fácil assim, eu iria achar outras coisas legais. Talvez algo vintage, relacionado ao meu gosto por música, mas que servisse pra decorar as paredes que estão na minha frente, mas que fosse baratinho. E achei isso:

O DVD já citado, e uma Music Sheet de 1969 dos Carpenters, da música Close to You. Todo desgastadinho pelo tempo, com uma ilustração completamente 70s, linda. Vou mandar emoldurar e colocar perto da minha mesa, já que coincidentemente as cores harmonizam perfeitamente com a Mkt.
Mas, o mais poético foi isso: você vira a página, e tem a partitura da música :O

Aí vc olha um pouquinho mais, e percebe que alguém já usou isso pra tocar. Por causa dessa marcação

“Gold and star-light in your eyes of blueeeee” tem uma marquinha azul do ex-dono.
Fofo, não?
:´(
PS.: O lençol completamente vintage foi pra combinar.
Essa letra é muito forte…
When I was young
I’d listened to the radio
Waiting for my favorite songs
When they played I’d sing along
It made me smile
Those were such happy times
And not so long ago
How I wondered where they’d gone
But they’re back again
Just like a long lost friend
All the songs I loved so well
(*) Every Sha-la-la-la
Every Wo-wo-wo
Still shines
Every shing-a-ling-a-ling
That they’re starting to sing’s
So fine
When they get to the part
Where he’s breakin’ her heart
It can really make me cry
Just like before
It’s yesterday once more
Lookin’ back on how it was
In years gone by
And the good times that I had
Makes today seem rather sad
So much has changed
It was songs of love that
I would sing to then
And I’d memorize each word
Those old melodies
Still sound so good to me
As they melt the years away
Repeat (*)
All my best memories
Come back clearly to me
Some can even make me cry
Just like before
It’s yesterday once more
Repeat (*)
Recomendo clicar em play pra ler o post.
“Feels like maybe things will be all right
Baby, Baby
Your love’s made me
Free as a song singin’ forever”
——
Minha vó faleceu em 7 de novembro de 2008. No domingo, 7 de junho, fui na casa dela, exatos 7 meses depois, separar as coisas e ver se havia algo do passado que eu gostaria de resgatar. Aquele armário, que sempre pareceu um universo enorme para uma menina de 6 anos de idade, virou um guarda-roupa comum, aromatizado com naftalina e cheiro de madeira velha. Não acho esse cheiro ruim, e nem sei se é bem de naftalina. Mas era um cheiro típico da casa da minha avó. Depois de muitas horas, separei algumas roupas, algumas jóias, 3 óculos de sol (minha avó só tinha 3 óculos de sol!) e uma bolsa authentic vintage. Algumas fotos e cartas que abrirei daqui a um tempo.
Foi uma volta ao passado, de coisas que eu via esporadicamente quando vinha da Bahia para a casa dela. Aquele armário sempre foi um mundo paralelo. Eu tinha um medo inconsciente dele. A penteadeira eu abria minha vida inteira, e vasculhava cada canto. Os batons eu usava em 1986. Joguei fora umas sombras de bastão, apodrecidas que eu usava para me maquiar quando criança. Se eu soubesse teria arranjado umas sombras Renew pra minha avó.
Ela tinha mania de guardar coisas. Sabiamente ela guardou uma saia florida que não devia servir nela há anos, e acabou ficando perfeita em mim. Muitas coisas serão doadas. Dentre tudo que eu trouxe e herdei da minha avó, a maior parte das coisas não se guardam em caixas ou em armários.
Hoje minha mãe voltou na casa dela. Alguns cantos não haviam sido explorados ontem, um deles, em cima do armário. Minha mãe achou uma coleção de revistas Geração POP, de 1973, 1974, 1975… Ok, qual é a graça em cima dessas revistas amareladas? Um parênteses para essas coisas que a gente não encontra, mas encontram a gente. É clichê falar que a gente não é do nosso tempo. É chato falar como um velho rabugento que afirma que as coisas eram melhores antigamente. Mas é fato que a música hoje não me encanta como a música florescida em décadas passadas.
Sempre comento com o Maurício que eu me imagino ligando um toca-fitas antigo, num carro antigo, ouvindo o último hit dos Carpenters. Ou indo além, como deve ter sido mágico viver numa época em que Carpenters e Diana Ross disputavam as primeiras posições da Billboard. Imagine entrar em qualquer boteco que você entre estar tocando Only Yesterday ao invés de Calypso ou Ivete Sangalo. Não é uma questão de viver DO ou NO passado, mas sim de realmente admitir que a criatividade musical da humanidade já teve o seu ápice nos últimos 100 anos (ou 1000 anos). E que se é pra este ápice ser superado, que seja se forma convincente. O ATARI está no passado, mas não é o ápice dos videogames. Mas musicalmente a humanidade ainda não superou as 3 décadas de 60 a 90. Sorry.
Voltando a revista Geração POP, minha mãe me trouxe essas revistas, sobre as quais eu jamais tinha ouvido falar. Sou de 82, a revista nasceu uma década antes de mim, em 1970 pela Editora Abril. Me emocionei ao abrir os exemplares e meus olhos encontrarem a estética que eu facilmente adotaria hoje para viver. Me senti mais confortável e ambientada com o mundo que eu encontrei na Geração POP do que o que eu encontro na NOVA. Eu conhecia todos os artistas que estampam a revista: Cat Stevens, Diana Ross, Barry Manilow… pensei comigo que seria simplesmente fabuloso achar uma revista que trouxesse os Carpenters como matéria central. E foi o que aconteceu quando eu tirava as revistas da caixa.
“Nós ainda acreditamos no amor” - Os Carpenters é a matéria de capa de um dos exemplares. Coloquei Only Yesterday pra tocar e por uma fração de segundos eu me transportei 20 anos atrás. Curiosamente procurei na internet sobre o que aconteceu com a revista Geração POP, e aí vai…
A Geração Pop – também conhecida apenas como pop, já que o logotipo põe esta palavra em destaque – era de música pop em geral. Seu estilo era mais comportamental, mainstream, não se prendendo ao rock, mas a outras tendências populares da música jovem, como a soul music (Jackson Five, Stevie Wonder) e o pop romântico (Carpenters, Elton John). A decadência da revista se deu porque ela não conseguiu acompanhar as tendências musicais atuais. Sobre o punk rock, arriscou-se a fazer matéria fictícia, com dois meninos de rua, aparentando pivetes, que seriam integrantes de um inexistente grupo de punk rock. Foi sua sentença de morte.
Fonte
Depois de 36 anos, que mantiveram sacos plásticos e a rotina afastando as revistas dos meus olhos, a Geração POP não conseguiu acompanhar as tendências musicais atuais. Mas ela nunca precisou mesmo fazer isso. Ela encontrou seu nicho, chegou ao seu target com um atraso de quase quatro décadas. A maior parte dos artistas presentes em suas páginas não deveriam ser substituídos por tendências atuais. Ler essa revista hoje não é voltar ao passado, mas sim reconhecer que o passado não é obrigatoriamente substituído pelo presente apenas pelo frescor do seu tempo, mas sim pelo frescor de sua criatividade. Tomorrow may be even brighter than today.
(Eu disse, maybe).
Letra completa de only yesterday dos Carpenters
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O vídeo tá com o som meio baixo e com uma legenda bizarra, mas o que vemos é suficiente. Burt Bacharach regendo, se empolgando, imagens de Dionne Warwick em 1965. Isac Haayes (o inesquecível Chef de South Park cantando Walk on by) também aparece nesse minidocumentário de 9 minutos enriquecedor.
Ás vezes eu queria ser uma mosca (velha) pra acompanhar insights das construções dessas músicas.
Thanks YouTube!
“Acabei de vê-lo aos 81 anos, no palco, meio capenga, a voz falhando, mas um guri fascinado pelo seu ofício, um guri ainda regendo sua banda como sempre fez, um guri cercado de excelentes backing vocals, simplesmente um guri - juventude é manter o entusiasmo, o resto é cirurgia.”
Martha Medeiros
Quem não foi, talvez não tenha outra oportunidade de ir. Quem foi, espero que tenha ficado com a mesma sensação que eu. 24h depois do show já estou com saudades e com uma tristezinha de saber que é talvez um momento que não vai se repetir. Sem qualquer exagero, se eu pudesse pegava um avião daqui a pouco pra assistir o show deste sábado no Rio de Janeiro, o encerramento desta turnê de Burt no Brasil.
Maybe the last time porque Burt Bacharach é um vovozinho que 81 anos que tem o mérito de ter feito arranjos e letras, hinos de gerações, trilha sonora de amores, dores, amizades e tempos que não voltam mais. Burt Bacharach é nostalgia. Nasceu clássico e vai morrer moderno (espero que demore bastante). Roda pratos no show, tocando piano, cantando e regendo. Até aí beleza… o lance é fazer isso, aos 81 anos, com paixão, intensidade, esquecendo que seus ossos já foram sedimentados pelo tempo e que sua cacharel favorita está fora de moda há décadas. O importante é, tocar as mesmas músicas 100000000 de vezes e fazer isso com amor, paixão, sorriso no rosto, e não de saco cheio por fazer aquilo mais uma vez. Isso é lição de vida. Você pode sempre fazer a mesma coisa de um jeito diferente, e o melhor, amar aquilo que você faz. Talento não é mágica. Talento é isso.
Não esperava ver o Burt Bacharach ao vivo nunca. Até porque achei que ele já estivesse bem mais longe dos palcos, e é impressionante ver que não. Ouço Burt Bacharach com letra, ou só melodia. Adoro. Ouço sem parar, e é difícil falar que alguma música é a minha preferida, apesar de Close to You ter arrepiado cada célula que existe no meu corpo. (Comece a ver esse vídeo a partir do minuto 4:43)
Não esperava que Burt cantasse… só que ele mandou ver justo em The look of love.
A poesia e a mensagem por trás de Raindrops keeps falling on my head é algo que realmente deixa qualquer dia otimista. A gente sabe que a chuva não para só porque a gente reclama. On my own foi uma música que reencontrei ontem. Não sabia que era do Burt, ou não lembrava, e essa letra é arte pura.
“No one said it was easy. But it once was so easy”.
Confesso que That´s what friends are for é uma música que me lembra muito minha infância, e eu não sei explicar porque. Esse vídeo tem uma vibe hiper foda.
This guy in love with you é uma das letras e melodias mais lindas que já compuseram. É impressionantemente linda. Ouvir a versão instrumental também é uma pedida excelente. Até o Faith no More gravou essa música. Veja e letra e confira com seus próprios olhos como é foda.
É muito difícil resenhar sobre todas as músicas que amo. Burt Bacharach realmente soube fazer músicas que além de incríveis, emplacaram e lhe deram o merecido título sem qualquer pingo de ironia de hitmaker. Se tem uma trilha sonora fodona de cinema, essa trilha é do filme O Casamento do Meu Melhor Amigo. A maior parte das letras são do Burt, inclusive o clipe de abertura. No show ele diz que é sortudo do cinema ter encontrado ele. E esse filme não seria o mesmo se não tivesse trombado com Burt Bacharach.
Quando eu falo que Burt nasceu clássico e vai morrer moderno, não é uma opinião ou um devaneio. É uma realidade. I Just Don’t Know What To Do With Myself é uma das provas de quão verdade isso é (essa música não rolou no show). Foi gravada por um monte de gente, mas também pelos moderninhos White Stripes, com um clipe estreladíssimo pela moderna (até demais) Kate Moss, com direito a fotografia foda e um pole dance rolando. Moderno demais, huh?
Em 12 de fevereiro postei isso no Twitter:
Meu, cada vez que descubro uma música que amo, descubro que é do Burt Bacharach. PQP!
Por causa desse tipo de matériazica o IG tá perdendo audiência
PS.: esse texto parece escrito pela assessoria de imprensa do Chiclete com Banana, CUIDADO!
Faz tempo que não posto aqui…
Abandonei você né? O problema é que muitas das novidades que tenho eu ainda não posso contar aqui. Eu disse, ainda. Mas em breve faço postagens novas.
Uma delas é que eu queria adotar mais um gatinho.
http://adoteumgatinho.uol.com.br/angelica_raycharles.htm
Mas acho que não vai rolar. O Zoinho e o Angelo já causam em dupla.
O Angelo vem aprimorando seu hábito bizarro de adorar água. Ele dorme na pia, faz jus aquele termo popular de “eu vou dormir na pia…”. Enfim, ontem na hora do almoço ele estava no tanque, molhando sua sofisticada pelagem e se refrescando. Um loosho.
Ontem passei o dia em São Paulo, reuniões, reuniões e a noite fomos assistir a gravação do Estúdio Coca-Cola da MTV com CBJR e Vanessa da Mata. Ok, ok, não sou nada fã das músicas dela, mas na voz do Chorão ficaram boas.
Os ápices
Pontes Indestrutíveis, música que amo por vários motivos óbvios. Desde a letra… “eu faço da dificuldade a minha motivação, a volta por cima vem na continuação…”
E Senhor do Tempo, a música é linda e a letra merece ser postada aqui, em bold com as melhores partes…
Eu não sou senhor do tempo, mas eu sei que vai chover
Me sinto muito bem quando fico com você
Eu tenho habilidade de fazer histórias tristes virarem melodia
E vou vivendo o dia-a-dia
Na paz, na moral, na humilde, busco só sabedoria
Aprendendo todo dia, me espelho em você
Corro junto com você, vivo junto com você, faço tudo por você
Seguindo em frente com fé e atenção
continuo na missão, continuo por você e por mim
Porque quando a casa cai
Não dá pra fraquejar, quem é guerreiro tá ligado
Que guerreiro é assim
O tempo passa e um dia a gente aprende
Hoje eu sei realmente o que faz a minha mente
Eu vi o tempo passar e pouca coisa mudar
Então tomei um caminho diferente
Tanta gente equivocada faz mau uso da palavra
Falam, falam o tempo todo, mas não tem nada a dizer
Mas eu tenho um santo forte, é incrível a minha sorte
Agradeço todo tempo ter encontrado você
O tempo é rei, a vida é uma lição
E um dia a gente cresce,
e conhece nossa essência e ganha experiência
E aprende o que é raiz, então cria consciência
Tem gente que reclama da vida o tempo todo
Mas a lei da vida é quem dita o fim do jogo
Eu vi de perto o que neguinho é capaz por dinheiro
Eu conheci o próprio lobo na pele de um cordeiro
Infelizmente a gente tem que tá ligado o tempo inteiro,
ligado nos pilantras e também nos bagunceiros
E a gente se pergunta por que a vida é assim
É difícil pra você e é difícil pra mim
Eu não sou senhor do tempo, mas eu sei que vai chover
Me sinto muito bem quando fico com você
Eu tenho habilidade de fazer histórias tristes virarem melodia
E vou vivendo o dia-a-dia
Na paz, na moral, na humilde, busco só sabedoria
Aprendendo todo dia, me espelho em você
Corro junto com você, vivo junto com você, faço tudo por você
Vivendo nesse mundo louco hoje só na brisa
Viver pra ser melhor, também é um jeito de levar a vida
O tempo passa e um dia a gente aprende
Hoje eu sei realmente o que faz a minha mente
Eu vi o tempo passar e pouca coisa mudar
Então tomei um caminho diferente
Tanta gente equivocada faz mau uso da palavra
Falam, falam o tempo todo, mas não tem nada a dizer
Mas eu tenho um santo forte, é incrível a minha sorte
Agradeço todo tempo ter encontrado você
Vem que o bom astral vai dominar o mundo
Eu já briguei com a vida,
Hoje eu vivo bem com todo mundo aí
Na maior moral é Charlie Brown
Vivendo nesse mundo louco hoje só na brisa
Viver pra ser melhor, também é um jeito de levar a vida
Dionne Warwick - Close To You
David, Hal, Bacharach, Burt
Why do birds suddenly appear
Everytime you are near?
Just like me, they long to be
Close to you
Why do stars fall down from the sky
Everytime you walk by?
Just like me, they long to be
Close to you
On the day that you were born
The angels got together
And decided to create
A dream come true
And when all
Their work was done
Well, there was no one
Else as wonderful as you
That is why all the girls in town
Follow you all around
Just like me, they long to be
Close to you
Just like me, they long to be
Close to you
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Arrepia…
So I sit and wait and wonder,
“Does anyone else feel like me?”
I’m so overdosed on apathy and put down on sympathy
Amo essa música!