Um blog sobre nada específico, escrito por quem ama gatos, design e gosta de fazer muitas coisas.


Liderança por senhoras que não sabem envelhecer

Apr 18, 2009 Author: Ludmilla Rossi | Filed under: Compras

Para deixar registrado aqui um incidente que rolou ontem em um shopping center de Santos, poupando-lhes dos detalhes que identifiquem tal pessoa (talvez apenas por enquanto).

Me assusta o número de profissionais despreparados que temos no varejo em Santos, se é que podemos chamá-los de profissionais. Santos é repleta de marcas pequenas e mini-lojas gerenciadas por comerciantes de bairro que foram para os shoppings, e até aí, no problems. Geralmente nesses casos você é atendido relativamente bem, sem muita técnica mas com bastante feeling, às vezes um pouco exagerado.

O problema é quando uma grande marca nacionalmente famosa coloca gerente despreparada para lidar com clientes e com vendedores. Sem uma boa liderança, é ímpossível conseguir bons vendedores, e ou a loja vai pro buraco, ou a clientela precisa ser composta de gente muito burra e ignorante que não entende que o processo de venda não é apenas trocar dinheiro por um produto, e sim toda uma experiência de convencimento e de resultados obtidos em troca de algo que você acha que vale a pena. Complexo, huh? O título faz alusão ao que eu vi ontem, uma senhora que não faz idéia do meu potencial de compra (sem saber se ele é grande ou pequeno), sem saber NADA sobre a minha conexão com a marca que ela atende, e certamente me fazendo desistir de comprar um alfinete naquela loja. Perdeu, bitch. Se não bastasse isso, a tal senhora, impecavelmente vestida, esquece que as rugas já fazem orgias na cara dela, agindo como uma vendedora de 20 anos de idade, mas esquecendo que o tempo já dobrou a esquina e que seu comportamento não compete e não é exemplo para a hora de meninas que ela gerencia. Péssimo.

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Dentro do mesmo tema, mas partindo para um foco diferente (afinal eu não estava entrando na loja para comprar ontem e nem pedi nada), existem duas situações que eu vejo erros comuns. Eu entro numa loja procurando um sapato verde-limão. Se não tem, a vendedora interpreta meu pedido como bizarro e automaticamente liga a chave de que não tem nada que eu vá gostar na loja, e acaba me oferecendo poucas opções ou nenhuma. De vez em quando gosto de fazer esse teste: entrar numa loja, fazer um pedido esdrúxulo que eu sei que não vai ter, e ver como a vendedora canaliza a energia dela para os produtos que existem na loja (assim demonstrando realmente o quanto está interessada na venda e em resolver o meu problema).

A outra situação é a “venda-insegura”, geralmente acontece quando estou acompanhando alguma amiga que entra numa loja que eu não entraria normalmente. Enquanto eu fico parada eu lembro de alguma coisa que falta no meu guarda-roupa, e sem olhar os padrões estabelecidos jogo a palavra-chave pela mulher e ela tem que ir ao estoque tão rápido quanto o Google e me trazer o resultado da busca de volta. A questão é que ela precisa mesmo ser tão relevante como o Google e me trazer peças conforme eu pedi ou similares, e não qualquer coisa apenas pra empurrar a venda.

Alguns erros cometidos pelos vendedores/gerentes de lojas:

  • Achar que você não tem dinheiro (assim esquecendo que dinheiro é o último dos itens para que uma compra seja realizada. Antes vem a necessidade, o desejo, o impulso, e depois o dinheiro - ou o cartão de crédito pra quem gosta;
  • Achar que você tem muito dinheiro (apesar de muitas pessoas gostarem de se sentir assim, eu detesto quando vendedores me tratam como se eu fosse o Eike Batista procurando por um scarpin de salto 7. É uó);
  • Achar que você está ali com todo o tempo do mundo (por mais que você esteja, incomoda esperar muito para poder experimentar e tomar uma decisão);
  • Achar que você assiste novela (é brochante ouvir que a blusa é igual a da fulana da novela. Pelamor);
  • Insistir. Insistir é foda (negociar é diferente. É foda quando a vendedora fala “Ah, leva, é tão barato?”. Me controlo pra não responder “É mesmo? Você ganha R$ 300 reais por mês e acha essa bota de R$ 350 barata? Ah, ok, se é assim eu vou levar”).

Lojas de departamento são incríveis nesse sentido por cometerem pouquíssimos erros e deixarem o cliente com a liberdade que ele sente que ele merece. E o mais impressionante é como as caixas de lojas de departamento (que lidam com público de A a Z) são hiper educadas, finas, simpáticas, sorridentes, mesmo não ganhando 1 puto de comissão. Não deveria ser ao contrário? As gerentonas e vendedoras de lojas mais finas terem um tato e educação (e raciocínio estratégico…)? Parece que a realidade não é essa, pelo menos aqui em Santos.

Pensando no silêncio

Nov 26, 2008 Author: Ludmilla Rossi | Filed under: Diarinho

Comprei um Amarula sábado. Faltou aqui em casa. Sempre teve, mas dessa vez acabou e ninguém trouxe outro. Sempre foi assim, as garrafas apareciam sem explicação. Ficavam muito tempo fechadas até que alguém as abria, em aniversários, natais, reveillons ou alguma data que nos reuníamos.

Elas pararam de aparecer, e não foi de propósito. Não teve motivo especial. Tudo foi como sempre foi, mas as garrafas foram deixadas de lado, e assim como surgiam sem explicação, a última se foi e não reapareceu. Elas duravam muito, o suficiente para serem degustadas por várias pessoas, em várias datas. Acho que ninguém lembrou que acabou. Só eu.

Lembro de uma tarde em 99. Eu tinha prova no colegial. E tomei uma quantidade relativa de Amarula antes de ir para o colégio. Lembro de eu rindo sozinha no silêncio da classe concentrada em fazer uma prova idiota e inútil de multipla escolha (o absurdo limitante pré-vestibular). Eu ria e o fiscal, claro, achou que eu tava colando. Mal sabia ele que era embriaguez de serotonina, pq de Amarula não era. Saí da prova e conferi o resultado. Foi 8,5.

Depois desse dia aprendi a tomar Amarula em dias de festa, e não de provas. Aí, há uns meses fui tomar e não tinha. Sempre que eu lembrava de comprar não tinha nada perto, e raramente eu lembrava. So sábado eu comprei, e só abri hoje, 2h da manhã de uma terça-feira.

Fiquei bebericando e apreciando o paradoxo do silêncio. Amarula não combina com ele. E sentir o gosto de Amarula sentindo tristeza também, não ornou nem um pouco. Pensei alto, e em silêncio.

Preciso MUITO achar essa versão dessa música.

Keep this post private - será?

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