Um blog sobre nada específico, escrito por quem ama gatos, design e gosta de fazer muitas coisas.
Comecei meu blog sem muito propósito. Era para ser um espaço, um diarinho descompromissado, para eu escrever algumas coisas, dividir umas músicas, desenhos, textos e referências da minha vida. Comecei a brincar de blog em 2007, já fazem 3 anos. Na real em 2002 tive um blog, onde era hostee de uma amiga virtual blogueira celebridade da época (Yael, que perdi contato). Durou pouco tempo, porque eu chamava de “blog” um HTM que eu atualizava na mão (hahaha).
Enfim, 5 anos depois criei esse blog. O seu nome faz todo sentido para mim, só não ouço tanto essa música como ouvia em 2007, mas ela permanece como um hino na minha vida. Ain´´t no mountain high enough, ain´t no river wide enough…
Cá estou querendo fazer um exercício mental do papel do meu blog hoje e cruzar isso com a minha idade, função e personalidade.
Tinha 20 anos quando inaugurei o meu primeiro blog. E 25 quando inaugurei esse. E agora tenho 28. Estou mais perto dos 30 anos, que tem se mostrado a idade mais assustadora (não para mim, mas para todos os meus amigos). Sinceramente eu tinha mais medo de fazer 15 do que de fazer 30. Tem coisa mais assustadora do que uma festa de 15 anos? Aquele vestido horroroso, aquelas roupas e cerimonial brega, a dancinha com um garoto na puberdade, as espadinhas e toda vibe “Back for good” dessas festas? Gente, obrigada pai, obrigada mãe por terem aceitado a minha “anarquia econômica” da época de ter banido festas de 15 anos da nossa família enquanto minhas amigas contavam cada segundo para “o grande dia”. Obrigada meu Deus por eu ter tido a brilhante idéia de viajar com mais 2 amigos e meu namorado + minha família como “troca” de uma festa que se transformaria em pó, constrangimento e fotos bizarras. Amém.
Voltando ao foco, de fato eu farei 3o anos em 2 anos. Isso não me alarma absurdamente, pois estou há 15 anos em processo de adultização, com frequentes recaídas. Às vezes, ou quase sempre, tenho toda a certeza do mundo que tenho 23 anos. E não sei explicar porque. Na realidade eu só percebo que vou fazer 30 anos quando vejo que a maior parte dos meus funcionários é mais nova do que eu. Sério, antes não era assim. Antes eu era mais nova que as pessoas que trabalhavam comigo. Hoje é o inverso…
Qual a diferença do meu blog aos 25 e aos 30? Antes eu anotava alguns pensamentos metafóricos, hoje eu prefiro escrever um pouco mais. Às vezes me poupo de escrever um pouco também, por considerar certos temas profundos, reflexivos ou partidários demais para um blog bastante fútil (futilidade é legal, acreditem!). Às vezes me poupo um pouco também por ter muita vontade de retratar fatos que acontecem na minha vida profissional, como empreendedora, fornecedora, e resumindo, chefe. Talvez esse post tenha a função de me encorajar a dividir essas coisas, ou apresentar pontos de vista, não sei. Acho que seria útil.
Não é o meu propósito tornar o blog formal, e deixar minhas meninices e futilidades de lado. Sim, adooooro maquiagens, comprinhas, moda, acessórios, pinturas, restaurantes gostosos, programas de índio entre outras coisas. Talvez eu precise de um novo layout, onde eu consiga segmentar isso de uma forma mais legal. Simples.
Isso tem a ver com a minha função. Difícil definir a minha função, mas acho que já fiz tanta coisa que a define. Muita coisa profissionalmente, muita coisa executada, tantas situações, vontade de resolver coisas, de ajudar pessoas, de contar histórias. Acho que essa é minha função, e pouco compartilhei 9 anos de experiência e muito auto-didatismo e aprendizado com funcionários. Aliás, poucas pessoas que lêem esse blog sabem o que realmente sou e faço. Meu about não diz muita coisa, e eu também nunca fiz muita questão de explicar claramente aqui meus papéis nesse mundo.
Isso tem a ver com a minha personalidade. Ok, um pouco atabascada, assumo. Quando as pessoas me falam isso “você tem personalidade forte” eu reluto um pouco, mas às vezes passo a acreditar lentamente nisso. Não gosto por ser um rótulo, mas olhando para trás sei o quanto isso trouxe de bom, e ás vezes de ruim. Prefiro focar no que trouxe de bom, e trazer um pouco mais de auto-controle para lapidar os erros que cometi por excesso de sinceridade, de falar o que eu realmente penso ou de agir da forma que eu acreditei ser a mais correta para o momento. Essa é a principal vantagem de fazer 30 anos: você poder assumir isso e foda-se. Afinal, agora, literalmente sou eu (e o meu trabalho) que paga as minhas contas, não é mesmo? O lado bom da minha personalidade também pode ser útil por aqui. Falar o que penso funcionou na maioria dos casos e faço isso bastante, falar tudo o que penso pode ser avaliado.
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Um adendo, eu adorava falar isso quando tinha 18 anos e agora vejo como eu fui idiota, já que eu não pagava as minhas contas, e sim as minhas futilidades, hahaha. Ok, com 18 anos a gente se acha muito esperto, é um consenso coletivo da minha geração.
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Por fim, a minha grande conclusão. Preciso transpor a realidade do meu blog para quem realmente sou hoje, sem omitir tanta coisa. Uma “garota” de 30 anos, em processo de adultização contínuo e eterno, e que acredita que isso não precisa ser chato. Uma profissional com uns bons anos de estrada, vivência na carne e crânio rachado por isso. E com uma função, na qual eu acredito muito, que é fazer as coisas que eu acredito, como eu acredito, com outras pessoas que acreditam.
Preguiça de ler. Preguiça de escrever. Preguiça de contar a verdade. Preguiça de levantar. Preguiça de descarregar as fotos da máquina. Preguiça de organizar os arquivos. Preguiça de organizar as canetas. Preguiça de colocar as coisas organizadas na pasta. Preguiça de lavar a louça. Preguiça de revisar. Preguiça de entender. Preguiça de fazer certo. Preguiça de pensar, de mudar. Preguiça de cuidar do bicho. Preguiça de cuidar da ferida. Preguiça de levar o guarda-chuva. Preguiça de pegar o casaco que a mãe mandou. Preguiça de lembrar da educação. Preguiça de dizer obrigada e desculpe-me pela grosseria de ontem. Preguiça de fazer orçamento. Preguiça de ler o orçamento. Preguiça de trabalhar. Preguiça de viver. Preguiça de suar na academia e ter que tomar banho depois. Preguiça de dormir. Preguiça de acordar. Preguiça de esquecer o passado. Preguiça de viver o presente. Preguiça de pensar no futuro. Aí não é só preguiça, é medo também. Preguiça de deixar para amanhã, e acabar pensando depois. Preguiça de agir certo, pois talvez as pessoas achem estranho. Preguiça de realização. Preguiça de demitir. Preguiça de ser polêmico. Preguiça de escrever no blog. Preguiça de organizar. Preguiça de ter mais trabalho. Preguiça de esperar e de ter paciência. Preguiça de fazer o que não se quer. Preguiça de fazer o que sempre quis. Preguiça de guardar as memórias que nos condenam e nos colocam em situações onde sabemos que estamos errados. Preguiça de viver coisas novas com as mesmas pessoas. Preguiça de gente. Preguiça de se importar. Preguiça de ganhar dinheiro. Ou preguiça de gastá-lo com o que interessa. Preguiça de sair. Preguiça de passar o hidratante nosso de cada dia. Preguiça de lavar os pincéis. Preguiça de sujar para não ter que limpar depois. Preguiça de trocar as lâmpadas queimadas. Preguiça de arrumar o armário. Preguiça de resolver. Preguiça de colocar as cartas na mesa. Preguiça de fazer boas propostas. Preguiça de se vestir pelo frio. Ou de se lavar pelo calor. Preguiça de declarar. Preguiça de dizer. Preguiça de admirar. Preguiça de tentar.
Se tem preguiça de tudo hoje. Devo confessar que devido à certos momentos decisivos da educação que recebi, minhas tardes pouco foram ocupadas pelo sentimento de preguiça. Falta de ócio, talvez. E pela falta excessiva de momentos de preguiça, durante uma curta fase da minha vida adulta me dei ao direito de ser preguiçosa. Eu achava que eu não conseguiria incluir algum tipo de atividade paralela na minha rotina, e hoje consigo estudar, fazer academia e retomar (recentemente) alguns hobbies. Na realidade o “achar que não” é preguiça de ter iniciativa para tentar. Acima eu não listei as minhas preguiças. Listei preguiças de vários amigos, família, pessoas que convivem comigo no geral. As minhas estão aí no meio, misturadas. São algumas poucas e escrever no blog é uma delas. Gosto e faço isso bem menos do que deveria, algumas vezes por conta da preguiça que se instala.
Ninguém é super, que consegue fazer tudo. Fracassar faz parte da nossa vida… desde que a preguiça não seja a principal razão do fracasso. E desde que não se tenha preguiça de admití-lo.
Palavras tabus: preguiça, maldita e desgraça. Detesto as 3.
Sobre o que falar e por que falar?
Cada vez mais me convenço que temos 2 orelhas, e 1 cérebro 1 boca. Você ouve 2 vezes. Pensa 1 e fala 1.
A vida me ensinou que a gente precisa ouvir sempre, mesmo que não sejam coisas boas e nem que o que você ouça sejam coisas boas sobre você mesmo. Mas na maior parte do tempo são coisas boas sim. E você ouve e age sem precisar falar.
Sempre foi assim, não é mesmo?
Ô delícia que é isso…
Isso é muito legal. Uma vez um cliente me falou sobre isso e procurei estudar.
Compartilho pra quem quiser aprender.
É interessante os pontos de vistas diferentes que as pessoas tem.
Falando a real - a divergência deles move a gente.
E eu enxergo a oportunidade no que parece ser uma situação insolúvel como água no óleo.
Ali no meio, na crosta bonita que divide o óleo da água, está a oportunidade declarada.
Gosto disso, e acho que isso me trouxe até certas portas que abri sem a menor dificuldade.
A chavezinha virou delicadamente, fez um tic onomatopéico e abriu a porta.
Numa nuvem onde sim e não, simplesmente não existem. Certo e errado é de quem conta a história.
E numa fase de discussões filosóficas sobre bens materiais e conquistas, é bom olhar e ver quais são as nossas e o que ainda podemos fazer pelos outros, e pelo mundo. Não é hipocrisia, mas parece. A gente faz pelo mundo, basta a gente se dar conta disso antes que seja tarde.
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Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Atenção, esse último parágrafo é muito mais importante do que a que o Rafinha ganhou o Big Brother.
Foda é pensar que quando você toma a decisão de contratar alguém, você avalia o currículo (e vai com a cara dele), liga pro elemento, você enche o cara de esperanças… e você se enche de expectativas, esperando no mínimo (requisito básico), um caráter decente e força de vontade.
Você, como dono, tem a chance de mudar a vida de quem está desempregado, de dar uma chance para quem nunca teve - e olha que, apesar de preconceituoso, existem pessoas de 30, 35, 40 querendo tomar o lugar de molecada pois nunca tiveram uma chance sequer de trabalhar na área.
E, cabe a você, brincando com seu “poder“, tentar encaixar as pecinhas para deixar todo mundo bem, tranquilo, e dar a chance para quem merece de fato (onde já errei muito), e desprezar currículos de gente que só quer uma oportunidade mas nunca pôde tê-la…